Ambientalistas temem danos irreparáveis à fauna e flora
Ambientalistas e biólogos temem que o derramamento de óleo da Petrobras cause danos irrecuperáveis à fauna e flora da região. Por se concentrarem em habitats específicos, certos répteis como tartarugas e anfíbios correm o risco de desaparecer do rio Iguaçu.
Segundo o biólogo Roberto Antonelli, a contaminação dos animais pode se prolongar por até 20 anos, mesmo após a limpeza da água. O problema não é somente a ação imediata do acidente. Existem também efeitos residuais. Segundo ele, seis meses depois do desastre da Baía de Guanabara, que foi bem menor, não houve a recuperação da quantidade de peixes que havia no local.
A fauna da região atingida pelo óleo é marcada pela abundância de aves aquáticas e mamíferos de pequeno e médio portes. O Rio Iguaçu é rico em espécies endêmicas, que não são encontradas em outras localidades. Além de animais como a capivara, o ratão do banhado e a lontra, existem mais de 50 espécies de aves e 30 tipos de peixes no local, muitos destes ainda sequer descobertos e catalogados.
Os ógãos ambientalistas estão contando com o trabalho de voluntários na operação de resgate dos animais. Estudantes de biologia, veterinários e zoólogos estão desde anteontem no local do acidente recolhendo e limpando os animais contaminados. Um grupo de ONGs, coordenado pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), começa o trabalho hoje.
Quando o animal ingere o óleo o salvamanto é muito complicado. É preciso forçá-lo a expelir a substância, explica Antonelli. As aves que não chegaram a ingerir peixe mas mergulharam na água devem ser limpadas e protegidas contra o frio, pois no contato com as penas, o óleo desregula a temperatura do corpo do animal.
Os primeiros impactos à fauna foram presenciados pelos ambientalistas ontem de manhã, na localidade de General Lúcio, município de Araucária, onde peixes já apresentavam os primeiros sinais de asfixia. Alguns metros rio abaixo, em outra barreira, uma ave ribeirinha provavelmente um maçarico foi encontrada com o corpo inteiro coberto de óleo, sem conseguir voar pelo peso das asas.
Até o final da tarde, nem a Petrobras e nem as entidades ambientalistas tinham um levantamento do número de animais resgatados desde o início da operação. Mas eram principalmente aves (mergulhões e garças).
A ambientalista Lídia Lukoski, da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Amar), disse que a entidade pediu auxílio à Petrobras para o resgate dos animais afetados às 9 horas de segunda-feira. Esse socorro só foi prestado ontem à tarde, quando a estatal formou uma equipe para esse fim. Só contamos com a boa vontade do Corpo de Bombeiros e da população, afirmou a ambientalista.
Segundo Irani Varela, superintendente de Meio Ambiente da Petrobras, a demora ocorreu devido à dificuldade de localização de técnicos especializados em universidades e organizações não-governamentais.(Colaboraram Michele Muller, Maigue Guetes e Valmir Denardin)





