Ambientalistas se manifestam contra instalação da Renault
Ambientalistas se manifestam
contra instalação da Renault
Performance com esqueleto morto de sede alertou para os riscos de permitir montadora em área de manancialÉ um ecossistema
delicado e que vai
sofrer os efeitos
dessa investida
A Semana do Meio Ambiente no Paraná está sendo caracterizada por várias manifestações de entidades ambientalistas. Ontem de manhã, na Boca Maldita, em Curitiba, o Fórum Pró-Conservação da Natureza no Paraná fez uma performance alertando sobre os riscos ambientais decorrentes da instalação da montadora Renault em São José dos Pinhais, em uma área de mananciais. Um carro estilizado, representando o Mégane, primeiro modelo a ser produzido pela fábrica, foi montado no meio do calçadão. Dele saiu um esqueleto, com os dizeres: Morreu de sede, numa alusão aos problemas que podem ocorrer com a captação de água para a Região Metropolitana de Curitiba. Os manifestantes usavam camisetas com a foto do Mégane, com a frase-trocadilho: Me engane, chamando a atenção dos transeuntes que circulavam pela Rua XV.
As críticas à montadora são extensas: dizem os ambientalistas que a Renault teria garantido, no protocolo firmado com o governo do Estado, isenção de responsabilidade em relação a problemas ambientais. A assessoria de imprensa da montadora não retornou as ligações da reportagem até o fechamento desta edição.
Especulação - A ambientalista Teresa Urban, da Rede Verde, fez questão de deixar claro que não é contra a instalação da montadora, até porque essa é uma questão superada, já que a fábrica está em construção. O alerta que está sendo feito desde 1996, afirmou ela, é para que o governo do Estado não abra o precedente para a instalação indiscriminada de empresas que vão poluir o meio ambiente, estimulando também a especulação imobiliária. A região ao Leste de Curitiba, no pé da serra, concentra 70% da área de captação de água para o abastecimento da Capital e Região Metropolitana. É um ecossistema muito delicado e que vai sofrer com certeza os efeitos dessa investida, argumenta ela.
Na prática, os ambientalistas querem que o governo do Estado faça um reordenamento da área de mananciais e estabeleça, de fato, uma política adequada de recursos hídricos. Na Assembléia Legislativa tramita um projeto enviado pela Coordenadoria da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), estabelecendo critérios para ocupação das áreas de preservação ambiental, com a instalação de condomínios de baixa densidade. A idéia é estimular os proprietários a cuidar das propriedades, em função do valor econômico. Atualmente, a legislação permite uma edificação a cada cinco mil metros quadrados. O Estado está respondendo muito mal à pressão do setor imobiliário, critica Teresa Urban. (E.B.J.)





