Ambientalistas questionam licença para usina
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2005
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
A licença prévia condicionada concedida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), no último dia 12, para a instalação da Usina Hidrelétrica (UH) Mauá prevista para ser contruída no Rio Tibagi, entre Ortigueira e Telêmaco Borba (Norte do Estado), foi motivo de surpresa e indgnação para alguns ambientalistas.
A diretora do Núcleo de Estudos do Meio Ambiente e professora do departamento de Química da UEL, Maria Josefa Santos Yabe, disse estar muito preocupada com a decisão do IAP. ''O Paraná é superavitário em energia. Para se ter uma idéia, uma empresa de alumínio consume em um dia mais energia que uma cidade. Os estudos de impactos ambientais tem erros. O IAP deveria estar protegendo o meio ambiente, nós estamos boquiabertos'', ressaltou.
Na opinião dela, as pessoas não têm idéia do que está acontecendo e da importância do assunto que, segundo a professora, deveria ser muito mais discutido pela sociedade. Ela ressalta também que as condicionantes impostas pelo IAP não mudam em nada a questão do impacto ambiental. A professora se refere à afirmação do presidente do IAP, Rasca Rodrigues, de que o órgão impõe 70 condicionantes que deverão ser seguidos pela empresa que for construir a usina.
''O Paraná consome 22% e o resto é exportado. A quem interessa a construção de grandes usinas? Continuamos sendo colônias. Não conseguimos prever as consequências que sofreremos, principalmente em Londrina'', salientou.
Para o prefeito de Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana), Geraldo Magela do Nascimento, a instalação da usina é vista com ''bons olhos'', pois além de garantir novos empregos para os moradores da região, será um grande atrativo turístico.
''Ortigueira é o município que tem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixo do Paraná. Aqui temos problemas de mortalidade infantil e renda per capta. A usina em funcionamento trará um grande número de empregos, além disso nosso royalties chagará a R$ 150 mil por mês'', argumentou.
Mas os ambientalistas afirmam que a situação do Rio Tibagi com a instalação de usinas hidrelétricas pode ser crítica. Surpresa com a decisão do IAP, a professora do Departamento de Biologia Animal e Vegetal da UEL, Sirlei Bennemann, disse que não acreditava que a licença seria concedida.
''É um impacto ambiental muito grande. Parece que as pessoas não estão percebendo isso. Esta havendo um confronto, estão passando por cima de leis. Não aceitamos, só estamos aguardando a ação do Ministério Público Federal para tomar alguma medida'', salientou Sirlei.


