Ambientalistas querem suspender exploração
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sexta-feira, 16 de outubro de 1998
James Alberti 
Entidades de defesa do meio ambiente pediram ontem que a Sanepar suspenda a exploração do Aquífero Karst, na Região Metropolitana de Curitiba. Elas defenderam medidas para diminuir a perda de cerca de 40% da produção de água da empresa. Isso seria suficiente para compensar a água retirada dos poços subterrâneos, afirmaram os ambientalistas. O gerente de Hidrogeologia da Sanepar, Arlineu Ribas, descartou a hipótese de abandono da exploração. Segundo ele, não há condições práticas para isso. Ribas disse que, mesmo com a exploração do Karst, deve faltar água durante o verão em Almirante Tamandaré e Colombo.
O presidente da Associação Ambiental Xama, João Bello, e o presidente da Liga Ambiental, José Álvaro Carneiro Neto, não concordam. Eles disseram que se a Sanepar reduzir em 10% suas perdas terá água equivalente àquela que retira do Karst. Para os ambientalistas, a Sanepar está comprometendo todo o aquífero com a postura que adotou. Estão comprometendo a água das futuras gerações, disse João Bello. Os dois presidentes sugeriram ações conjuntas entre várias entidades da Região Metropolitana para evitar a explosão demográfica na área do aquífero.
É preciso um controle absoluto da superfície sob risco de comprometer o abastecimento futuro, disse Carneiro Neto. Segundo ele, a ocupação irregular e a falta de planejamento das prefeituras está por inviabilizar o uso do aquífero. Um exemplo, conforme Bello, é o cemitério de Almirante Tamandaré, que estaria próximo a uma dolina (ponto de reabastecimento do Karst através das águas da chuva). Para Carneiro Neto, se o aquífero for contaminado a despoluição seria muito difícil, cara e demorada. Ontem Ribas admitiu que existem alguns poços na Região Metropolitana que tiveram que ser abandonados por causa da poluição.
Bello quer que a Sanepar só faça a exploração após os estudos, que segundo ele eram previstos pelo Relatório de Impacto Ambiental. A Sanepar e outras entidades terminam o estudo no próximo ano. O presidente da Xama acredita que os estragos à natureza e às casas dos agricultores da região devem continuar se a Sanepar não rever a exploração.
O gerente de Hidrogeologia da Sanepar disse que a água do Karst é necessária para o abastecimento de cerca de 100 famílias. Não existe alternativa de abastecimento para essa população, afirmou Ribas. Segundo ele, a paralisação da exploração iria atrasar de dois a quatro anos os investimentos que a Sanepar terá que fazer na Região Metropolitana. Ribas afirmou que a empresa tem trabalhado na tentativa de diminuir as perdas, mas que isso faz parte de um programa a longo prazo.


