As tradicionais fogueiras de São João teriam fim se o fósforo fosse parar nas mãos do ambientalista Lourival dos Santos Filho, integrante da Força Ação e Defesa Ambiental (Fada). Ele afirma que as fogueiras são anti-ecológicas, ajudam a reduzir a floresta nativa do Paraná - hoje com apenas 3% de sua cobertura intacta, segundo o ecologista - e poluem o meio ambiente por causa das queimadas. Mas nem todo mundo concorda com Lourival. O engenheiro florestal Jackson Luiz Vosgerau, do Instituto Ambiental do Paraná, defende a tradição, diz que a lenha usada para as fogueiras é replantada para esse fim e que a fumaça da combustão prejudica o meio ambiente menos do que a de um carro.
A tese de ambientalista é de que, ao fazer as fogueiras, as escolas dão mau exemplo aos alunos, que recebem durante o ano aulas de preservação ambiental. Ele apresenta números assustadores do que seria queimado por ano. Lourival cita como exemplo a Escola Municipal Jardim Roma, em Almirante Tamandaré, onde existe uma ‘‘colossal’’ fogueira, segundo ele. ‘‘Quantas escolas existem no Paraná. Umas cinco mil? E Igrejas? Imagine se cada uma delas consumir de 3 a 5 metros cúbicos de madeira por fogueira.’’
Apesar de um número incontável de escolas não fazer as fogueiras, o ambientalista ganhou o apoio do secretário de educação de Almirante Tamandaré, Osmar Jopper, que se disse contrário às fogueiras de São João. Jopper afirma que houve orientação para que as escolas não seguissem a tradição. Se houve casos como o da escola Roma, foram isolados, diz ele.
Para o engenheiro florestal do IAP a proibição não tem o menor sentido. Ele afirma que o instituto fiscaliza cerca de 70% dos cortes de madeira do Estado - os outros 30% seriam clandestinos - e que as árvores nativas nunca são usadas em fogueiras juninas. ‘‘Geralmente o que se usa é a bracatinga, que é plantada para a produção da lenha. Ninguém desmata para fazer fogueiras de São João’’, disse.
A diretora da escola Roma, Arlete Terezinha Bini Scremin, confirma a afirmação do engenheiro. ‘‘Nós não cortamos nenhuma árvore’’, disse ela. ‘‘A madeira que usamos na fogueira foi recolhida em terreno baldios próximo ao colégio’’. Um consenso entre todos é a queima de pneus entre as fogueiras, o que seria mais preocupante. Segundo Vosgerau, a queima de pneus libera substâncias tóxicas que causam grande poluição.Divulgação)IAP garante que madeira queimada em fogueiras de São João é replantadaJames Alberti

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