Luciana Pombo
De Curitiba
Moradores de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, integrantes de Organizações Não-Governamentais (ONGs), ambientalistas e políticos locais e estaduais participaram ontem de uma manifestação contra a proposta da instalação de um aterro sanitário no município. O novo local para colocar o lixo substituiria o aterro do Cachimba, em Curitiba, que tem apenas mais quatro ou cinco anos de vida útil.
Cerca de 300 pessoas participaram da mobilização e protesto, fazendo uma passeata pelos principais marcos ambientais de Rio Branco do Sul. Em frente ao Rio Tacaniça, foi feito um grito ecológico. ‘‘Essa é a segunda manifestação popular que estamos participando. E iremos fazer muitas outras, caso a Prefeitura de Curitiba não desista de construir o aterro sanitário em Rio Branco do Sul’’, afirmou o ambientalista João Belo.
De acordo com os ambientalistas, a construção do aterro sanitário poderá colocar em risco o lençol freático, contaminando o Aquífero Karst. ‘‘Não foi feito qualquer relatório de impacto ambiental aqui e não deixaremos que a construção deste lixão ocorra’’, alegou ele. A ambientalista Claudete Galli, da Associação Ambiental Votuverava, vai mais longe. ‘‘São quatro grandes problemas ocasionados por este lixão, primeiro é o rótulo que a cidade irá ganhar de a cidade do lixão, depois a poluição, a desvalorização dos imóveis e o desastre ecológico’’, argumentou.
O prefeito de Rio Branco do Sul, João Dirceu Nazzari (PSDB), teme ainda pelos engarrafamentos que ocorrerão na Rodovia dos Minérios, com o tráfego de cerca de 110 carretas por dia, com um volume de lixo diário de cerca de 2,2 mil toneladas. ‘‘Os transtornos são incalculáveis’’, disse ele. Nazzari afirmou ainda que Rio Branco do Sul não pode ser penalizado por problemas dos demais municípios da região de Curitiba. ‘‘Nós não usamos a Cachimba. E não usaremos este novo aterro sanitário’’, declarou ele.
A Prefeitura de Rio Branco do Sul, em parceria com Itaperuçu, está construindo uma Usina de Compostagem para a transformação do lixo orgânico em adubo. O projeto está orçado em R$ 60 mil e tem o apoio da empresa Cimento Votorantim.
Nazzari disse ainda que o município tem um importante projeto turístico para atração de visitantes de todo o País para Rio Branco do Sul, que poderia ser esquecido com a construção do aterro sanitário. ‘‘Quem vai querer visitar uma cidade que abriga o lixo de mais de dez municípios grandes, inclusive Curitiba’’, questionou. Entre as atrações turísticas citadas por ele estão as grutas e cachoeiras que formam a Gruta de Lancinhas, a segunda maior caverna do Paraná.Proposta da Prefeitura de Curitiba de instalar área para destinação de lixo em Rio Branco do Sul provoca reação da comunidade
Mauro FrassonGRITO ECOLÓGICOPopulação afirma que aterro sanitário trará consequências graves e avisa que outros protestos serão realizados

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