Ambientalistas negam índices da prefeitura
Se a Prefeitura de Curitiba mantivesse o método de medição da área verde utilizado em 1988, o índice atual teria diminuído e não aumentado, como divulgou o prefeito ontem. A ambientalista Tereza Urban, coordenadora da Rede Verde, contestou as informações da Prefeitura, apresentando dados da escola de Floresta da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que mediu o índice de área verde utilizando o mesmo método anterior, ou seja, considerando os maciços vegetais acima de dois mil metros quadrados e não de 100 metros quadrados, como o usado neste ano. O estudo, que utiliza fotos aéreas, registrou um índice de área verde, em 85, de 50 metros quadrados por habitante, número este que caiu para 40 metros quadrados na medição feita em 1995.
‘‘Mudar de método para mascarar a realidade não é um bom presente para a cidade na semana do Meio Ambiente’’, diz Urban, que vê incoerência nos números apresentados pela Prefeitura. ‘‘Se a população aumentou neste período e a área verde aumentou também é porque estamos vivendo em cima de árvores, numa selva e não sabemos’’, diz. Tereza lembra ainda a deficiência da cidade na arborização de rua, fator importante para reduzir a poluição que é provocada pelos automóveis. Curitiba, segundo ela, tem três a quatro metros quadrados por habitante de arborização pública, enquanto Maringá, por exemoplo, tem 12 metros quadrados.
Clóvis Ricardo Borges, diretor executivo da Sociedade de Proteção à Vida Selvagem (SPVS) afirma que área verde é diferente de área de conservação, e Curitiba, segundo ele, está longe de preservar sua biodiversidade. ‘‘Os banhados estão sendo alterados pelas instalações das fábricas e a mineração de argila e areia descontrolada; os remenescentes de florestas de araucária estão sujeitos ao desmatamento e empreendimentos imobiliários; e as matas ciliares dos rios estão sendo invadidas por favelas. Estas ações estão depauperando as áreas naturais do município’’, diz Borges. (M.G.)

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