Josoé de CarvalhoPontos críticosEliana Souto, da Bandeira Verde: ‘Perigo é muito grande e as proporções de um acidente, incalculáveis’ Com a intenção de levar informações aos moradores de edifícios sobre os riscos do envasamento de gás a domicílio, a Associação Ambientalista Bandeira Verde deflagrou uma campanha de esclarecimento, principalmente na área central, onde se concentra o maior número de prédios da Cidade. O trabalho de envase a domicílio foi autorizado pela Câmara Municipal, em votação realizada no último dia 4.
Segundo a coordenadora de projetos da entidade, Eliana Souto, as empresas responsáveis pelo trabalho já assinaram contrato com 73 edifícios. Destes, 27 já estão procedendo o envasamento. ‘‘O risco é muito grande e as proporções de um acidente, incalculáveis’’, afirma Eliana Souto.
A Associação Bandeira Verde pretende, com a campanha, que os moradores de edifícios digam não ao envasamento a domicílio até que obtenham maiores informações sobre o trabalho. ‘‘Muitas pessoas estão se apegando ao laudo do Corpo de Bombeiros, que diz que não há perigo, mas quem vai fiscalizar o serviço?’’
O projeto aprovado na Câmara estabelece algumas normas de segurança para impedir a ocorrência de acidentes. Uma delas é que os caminhões que transportam o gás tenham um sistema especial no escapamento, para impedir faíscas. ‘‘O problema é que os carros que passam nos locais onde está sendo feito o envasamento não têm o mesmo mecanismo de segurança’’, observa a ambientalista.
A entidade imprimiu 10 mil panfletos para distribuição nos prédios. As equipes estão visitando os síndicos, explicando a eles os objetivos da campanha e deixando um panfleto para cada apartamento. No texto, a Bandeira Verde traça um paralelo entre o trabalho de envasamento a domicílio e a Plenogás, empresa que fazia o envase numa área bastante habitada, no centro da Cidade, e foi transferida para o Pool de Combustíveis.
‘‘Hoje assistimos estarrecidos algumas empresas transformando cada edifício da cidade em uma mini-Plenogás’’, cita o panfleto. Nele também é relatado um acidente ocorrido em São Paulo, no restaurante Beduíno Árabe, onde um caminhão estacionou para proceder o envasamento e a válvula de um dos botijões se soltou. Devido a um fogão aceso no restaurante, ocorreu uma grande explosão, deixando 10 pessoas feridas.
‘‘Queremos que toda a população tome conhecimento desses fatos; queremos mostrar a elas tudo que conseguimos apurar em nossas pesquisas sobre o assunto para que não aleguem, depois, que não tinham conhecimento das consequências’’, comenta Eliana Souto.
Outro fato ressaltado por ela é que os caminhões das empresas, muitas vezes, acabam estacionando em locais proibidos para poder envasar o gás. Segundo Eliana Souto, dos 27 prédios que estão usufruindo do serviço, seis estão localizados em áreas que não permitem estacionamento em frente. É o caso de um edifício localizado na rua Pará, quase esquina com JK, que está localizado no lado direito da rua. No local, o estacionamento só é permitido no lado esquerdo.
‘‘Além de atrapalhar o trânsito, o envase expõe o pedestre ao perigo do trânsito, porque ele tem que passar pelo meio da rua’’, diz Eliana Souto. Ela ressalta ainda que, no caso específico desse prédio, há um outro agravante: ele está localizado ao lado de um posto de combustível.
O vereador Antenor Ribeiro (PPB), um dos autores do substitutivo aprovado na Câmara e que autoriza o trabalho de envase a domicílio, afirma que o projeto só foi aprovado porque os vereadores se convenceram de que não há perigo no trabalho. ‘‘Nosso projeto estabelece normas de segurança que têm que ser cumpridas. São normas recomendadas pelo Corpo de Bombeiros. Temos certeza que não estamos expondo a população a perigo.’’

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