Luciana Pombo
Ambientalistas brasileiros enviaram 72 mil cartões-postais ao gabinete do presidente Fernando Henrique Cardoso solicitando o fechamento definitivo da Estrada do Colono. A iniciativa fez parte da campanha ‘‘Escreva ao presidente e ajude a salvar o Parque Nacional do Iguaçu’’. Segundo o estudante de biologia e membro do Fórum Pró-Conservação da Natureza do Paraná, Tiaraju de Mesquita Fialho, a expectativa era mandar 60 mil cartões, fazendo uma alusão aos 60 anos do Parque Nacional do Iguaçu. O sucesso da iniciativa foi tão grande que uma nova remessa de 12 mil postais foi impressa. Para enviar cada postal, o custo é de R$ 0,20.
A campanha tem o apoio de instituições ligadas a movimentos ambientalistas e sociais da Austrália, Holanda, Dinamarca, Estados Unidos, Argentina e Colômbia. No Brasil, os ambientalistas conseguiram a adesão do Instituto Sócio-Ambiental de São Paulo, da Rede Nacional Pró-Unidade de Conservação, Coalisão Rios-Vivos, Rede de ONGS da Mata Atlântica, Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e Greenpeace.
Os ambientalistas alegam que a reabertura da Estrada do Colono traz prejuízos irreparáveis ao meio ambiente como a extração do palmito e de espécies vegetais do Parque, a formação de um corredor propício para a caça, modificação no regime de drenagem do solo e danos da vegetação existente por causa do excesso de iluminação, além da presença de cargas tóxicas e atropelamento de animais na estrada. ‘‘São efeitos acumulativos que vão se formando e acabando com a primitividade da natureza, oferecendo riscos de extinção de espécies da flora e da fauna’’, afirmou Fialho.
A campanha teve um aspecto político e outro de divulgação da importância da preservação dos parques nacionais. ‘‘Não queríamos apenas fazer uma pressão junto ao presidente e aos órgãos do governo federal, queríamos conscientizar a população brasileira sobre os problemas que poderão ser ocasionados com a depredação do meio ambiente que a reabertura definitiva da Estrada do Colono provocaria’’, disse ele.
Os ambientalistas aguardam ansiosos o resultado do Plano de Manejo do Parque Nacional do Iguaçu. De acordo com Fialho, caso o plano indique a reabertura definitiva da Estrada, os ambientalistas acatarão a decisão e buscarão alternativas para que as leis e a ciência sejam respeitadas. ‘‘Não vamos radicalizar, queremos apenas que o meio ambiente seja preservado’’, afirmou.

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