O Instituto Ambiental do Paraná (IAP), órgão vinculado à Secretaria do Estado do Meio Ambiente (Sema) começou a colocar armadilhas no Parque Estadual Vila Velha para capturar os javaporcos, espécie exótica de javalis existente no local. Os animais, que estariam colocando em risco a fauna e flora nativas, serão abatidos, e a carne, que neste caso não é indicado para consumo, será incinerada e enterrada.

A medida causa polêmica. As Organização não Governamentais (ONGs) Movimento SOS Bicho, Grupo Fauna e Ecoforça chegaram a protocolar duas vezes ofícios na Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) pedindo intervenção junto ao IAP para paralisação da ação. Esta é a segunda vez que as entidades intervêm no processo. Em novembro do ano passado, depois que o IAP anunciou que iria determinar o abate, os ambientalistas recorreram ao Ministério Público do Meio Ambiente de Ponta Grossa.

O MP chegou a determinar a paralisação da ação e solicitou explicações ao IAP. O processo, no entanto, foi arquivado pelo MP em maio deste ano. Em seu parecer, o promotor Silvio Couto Neto acatou o parecer das biólogas Simone Umbria e Simone Dala Rosa, apresentado pelo IAP, que consideraram necessário o abate dos animais. As ONGs, no entanto, rebatem as justificativas das biólogas em um documento de 21 páginas entregue à Sema.

Os ambientalistas questionam a falta de estudos conclusivos a respeito da presença dos animais no parque e entorno para que pudessem subsidiar medidas de manejo que não envolvessem o abate. Segundo Andresa Jacobs, do Grupo Fauna e integrante do Conselho Gestor do Parque, a legislação prevê que o abate só seja feito depois de esgotadas todas a medidas de manejo ambiental, o que não foi feito. Ela lembra, ainda, que os estudos apresentados pelas biólogas referem-se aos impactos dos javalis em uma situação geral, e não específico dentro do parque e entorno, tanto que não há sequer estimativa do número de animais no local.

Os ambientalistas temem, ainda, que com a liberação do abate, caçadores da região aproveitem para caçar também animais silvestres. Isso pode ocorrer, segundo Andresa, porque os órgãos públicos não têm estrutura suficente para fiscalização. Outro problema é que quem passaria as informações de abates seriam os próprios proprietários rurais.

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