Ambientalista tenta preservar ave
Começa hoje e vai até amanhã no Salto Morato, em Guaraqueçaba, um workshop destinado à preservação de um dos animais mais representativos da região - o papagaio-de-cara-roxa. Ao todo, 40 biólogos, educadores, veterinários, pesquisadores e sociólogos dos Estados de São Paulo e Paraná, estarão procurando novas soluções para garantir a sobrevivência da ave, ameaçada de extinção.
Ave que ocupava toda a região litorânea do Sul de São Paulo e Norte do Paraná, o papagaio, bem semelhante ao papagaio verde comum, hoje tem apenas cerca de 4,5 mil representantes em toda a região de floresta atlântica brasileira, ficando atrás apenas de três outras espécies que também correm o risco de desaparecer do mapa: o papagaio-de-peito-roxo, o papagaio-campeiro e o charão, típicos do Nordeste e do Sul do país.
A iniciativa visa descobrir uma forma de intensificar os trabalhos que já são feitos para a preservação. A idéia é unir órgãos como o Museu do Capão da Imbuia, o grupo Insulares, de São Paulo, a USP e a SPVS - Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental -, que tem sede em Curitiba.
Só o fato destas entidades já estarem trabalhando para a preservação do cara-roxa significa que existe um esforço importante de conservação, explica Clóvis Borges, diretor executivo da SPVS. Importante, mas insuficiente. Isso porque para proteger uma espécie como essa, que vive numa área tão restrita, é preciso proteger também a própria região.
Segundo o diretor executivo, é preciso se fazer todo um equacionamento da situação social e econômica da região. Trabalho que prevê inclusive o controle da retirada de madeira e palmito da floresta. E esta é a maior dificuldade, confessa Borges. Por isso estamos fazendo o workshop. Para integrar os nossos esforços. Até porque o papagaio é só um exemplo do que pode acontecer.
Bióloga da SPVS, Elenise Sipinski explica que uma das maiores ameaças ao papagaio é mesmo a do tráfico, aliada ao desmatamento desordenado de árvores como o Guanandi, usado pelas aves para a instalação dos ninhos.Existem estudos, completa ela, que mostram perfeitamente quanto já foi destruído da floresta da região. A área remanescente hoje representa apenas 4% do que era no início do século.
Assim, os poucos ninhos existentes nos ocos das árvores estariam sendo facilmente localizados e saqueados pelos traficantes de animais. As aves podem até sobreviver no cativeiro, explica Elenise. O problema é que, para a natureza, elas estão mortas. No cativeiro, elas não se reproduzem mais e nem disseminam as sementes das árvores, ajudando na preservação.
O trabalho da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental, realizado em Guaraqueçaba, é feito desde 1997 e visa proteger principalmente os filhotes do Amazona braziliensis, o popular papagaio-de-cara-roxa.





