Ambientalista teme que urbanização polua Karst
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de outubro de 1998
Anna Camanducaia 
Ambientalistas querem que a Sanepar suspenda a exploração do Aquífero Karst ou reduza a captação de 450 litros de água por segundo para, no máximo, 150 litros por segundo, como determinou o Ministério Público no começo do mês. A exploração deveria ser só para teste e não para abastecer 75 mil famílias como está ocorrendo, disse o conselheiro da Associação Xama, João Bello, que participou ontem do II Workshop Projeto Karst, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba). Afinal, os estudos ainda não estão concluídos e o Relatório de Impacto Ambiental não foi apresentado.
Para Bello, falta um planejamento habitacional para garantir a qualidade da água do Karst. Hoje, a Região Metropolitana de Curitiba tem uma ocupação desordenada, disse o conselheiro da Associação Xama. A Comec está aguardando o resultado dos estudos do Projeto Karst para planejar o crescimento urbano na área de exploração. Hoje, não tem projeto definido. Por enquanto, estamos apenas evitando a expansão urbana e implantação de indústrias para não comprometer o Karst, disse o arquiteto da Comec Ricardo Bindo. O objetivo principal é garantir a qualidade da água, mas temos uma demanda de crescimento da região que precisa ser atendida.
Abastecimento - A educação da população é um dos pontos fundamentais para a manutenção do aquífero. Outra preocupação dos ambientalistas é que postos de gasolina, cemitérios ou aterros sanitários instalados na área de Karst poluam a água que servirá para o abastecimento. O aterro sanitário, por exemplo, vai ser feito em Rio Branco do Sul - área de Karst, disse Bello. Como podemos ter certeza de que o aquífero será protegido se temos 21 rios mortos e 600 poços da região norte contaminados?
O Karst não é a única solução para o abastecimento da população. Segundo Bello, a recuperação dos rios é fundamental. Com a coleta e o tratamento do esgoto, os rios ficariam livres da sujeira e dos produtos químicos. A reposição da vegetação ciliar, a educação ambiental e um banco de dados sobre as bacias completariam a recuperação.


