Fotos: Albari RosaDepois de sete horas amarrado ao pinheiro no Bacacheri...Vale tudo para impedir que uma árvore seja derrubada. Com esse pensamento na cabeça e uma corrente na mão, o ambientalista João Bello, 43 anos, chegou ao extremo ontem, a exemplo do que faz o grupo radical Greenpeace. Para evitar o corte de cerca de 20 árvores no Bacacheri, Bello se amarrou a um Pinheiro do Paraná e desafiou funcionários do Ministério da Aeronáutica a cortar a árvore, de mais de 40 anos. Outras dez já tinham sido cortadas anteontem, com licença do engenheiro florestal Edison Reva, da Secretaria de Municipal de Meio Ambiente.
O corte era feito a pedido do Ministério da Aeronáutica. Para justificar a solicitação, o coronel Wagner Ramos escreveu que ‘‘um levantamento topográfico na região do Aeródromo de Bacacheri constatou obstáculos às operações aéreas’’. Os obstáculos seriam as árvores.
O biólogo Waldemar Volanski, 35 anos, discorda. ‘‘Essas árvores têm mais de 40 anos e nunca atrapalharam’’, argumenta. Volanski mora no condomínio Ana Cecília, na Rua Nicarágua 1302, onde está a araucária a que Bello se amarrou. ‘‘O pinheiro é como se fosse da família’’, disse o biólogo, após revelar que a árvore foi plantada pelo sogro, o aposentado Adalto Gomes da Silva, 96 anos.
... Bello comemora o cancelamento da autorização do corte
O objetivo de Bello ao se amarrar ao pinhiero foi ganhar tempo, para que o promotor Saint’Clair Santos, da Promotoria de Proteção ao Meio Ambiente, se posicionasse contra o corte das árvores. Santos, por telefone, pediu para Edison Reva rever a posição.
Por volta das 16 horas, o engenheiro florestal cancelou temporariamente a licença. Segundo ele, uma nova avaliação deverá ser feita, com a participação do Ministério Público, para verificar se há necessidade de pôr abaixo as árvores. A decisão foi comemorada por Bello, que pôde enfim ser desamarrado do pinheiro, depois de ficar sete horas com a corrente no pescoço.

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