A Xama, entidade de defesa do meio ambiente, vai solicitar hoje ao Ministério Público que avalie a possibilidade de responsabilizar criminalmente o secretário municipal do Meio Ambiente de Curitiba, Sérgio Tocchio, e técnicos da secretaria por desrespeito à Lei de Crimes Ambientais. Segundo o conselheiro da entidade, João Bello, o pedido refere-se ao corte de árvores - cedros com cerca de 15 metros - na Rua 29 de Junho, no Bacacheri, e à autorização para o corte de pinheiros nas ruas Nicarágua e Costa Rica, suspensa após audiência no Ministério Público. A Procuradoria Geral do município estuda a abertura de um processo contra a Xama, por denegrir a imagem da secretaria.
O promotor de Justiça Sérgio Cordoni, da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público, disse que a possibilidade de responsabilizar alguém individualmente pelo corte das árvores será avaliada apenas depois da análise dos laudos técnicos que serão entregues pela secretaria em audiência marcada para o dia 18 deste mês. ‘‘A questão é complexa’’, comentou. ‘‘Não basta um pedido para responsabilizar alguém criminalmente.’’ Cordoni também pediu ao Corpo de Bombeiros laudo técnico sobre o risco de queda das árvores da Rua 29 de Junho.
O corte das árvores foi motivo de confusão na tarde de segunda-feira, no Bacacheri. Representantes da Xama foram até o local e chamaram a Polícia Florestal para impedir o corte. Segundo Bello, a intenção é questionar os critérios para determinar a retirada de 73 árvores. Ele afirmou que a autorização para a retirada de árvores, nesse caso, envolve omissão, negligência ou má fé. ‘‘Situações deste tipo podem estar acobertando interesses econômicos, que colocam áreas verdes em risco’’, disse Bello.
A diretora do Departamento de Pesquisa e Monitoramento da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Marilza Dias, garantiu que todas as autorizações para corte de árvores são emitidas com base em critérios técnicos e com respaldo na legislação em vigor. ‘‘O município é responsável pela conservação das áreas verdes’’, disse. ‘‘Deixar de retirar árvores que colocam a vida da população em risco é que caracterizaria negligência e omissão.’’
Marilza explicou que a retirada de algumas árvores, em boas condições, nas ruas Nicarágua e Costa Rica, aconteceu a pedido do Ministério da Aeronáutica, porque representavam risco de acidente para as aeronaves que usam o Aeroporto do Bacacheri. ‘‘O corte foi suspenso depois de audiência no Ministério Público, em que os proprietários de algumas áreas se responzabilizaram pela vegetação.’’

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