Tal a indignação humilde, e até poética do gari João Jovelino de Sousa, outro João, o das Águas, como é popularmente conhecido, também se impressiona com a sujeira das ruas de Londrina. Só que para protestar, ele se utiliza da linguagem fotográfica, com tom militante e político.
Há alguns anos, o ambientalista e assessor da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), João Batista Moreira Souza, registra as agressões dos londrineses ao ambiente. ''É um fotodocumentário que mostra o uso e ocupação irregular do solo. A relação da cidade com as águas dos rios da região'', explica.
Clicando, ele flagra crimes contra a natureza, dos mais simples aos graves. Acompanhando um bueiro da Rua Quatá desde 2001, por exemplo, já documentou o quanto de lixo vai parar nos rios, inclusive muitas bitucas. ''O problema é que mesmo quem é bem-educado, e não joga papel no chão, joga a bituca. É cultural'', aponta.
Ele ainda completa que como o filtro do cigarro é leve, é facilmente carregado pela água da chuva, e afunda depois de molhado, indo parar no fundo dos córregos, lagos e rios. Conta que quando o lago Igapó estava vazio, fotografou um trecho de apenas um metro quadrado onde havia 16 bitucas.
Para tentar mudar a situação, João continua fotografando as irregularidades e pretende utilizar o material em exposições e publicações educativas. São mais de 60 mil fotos, organizadas em 900 pastas temáticas. ''Só de bitucas de cigarro são pelo menos 200 registros'', denuncia. (G.B.)

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