Ambientalista diz que mudar a legislação não basta: é preciso agir
Arquivo FolhaBandeira VerdeEliana Souto: Lei sem recursos não adiantaPara que lei nova? A Constituição brasileira é perfeita, mas não é cumprida. A lei estadual de reflorestamento é boa, mas não é implementada. As leis de proteção ao meio ambiente anteriormente em vigor já eram avançadas, mas nunca foram respeitadas. Então, não vai ser uma nova lei que resolverá os graves problemas de degradação ambiental do País, diz a psicóloga e coordenadora da Associação ambientalista Bandeira Verde, Eliana Souto.
Na opinião dela, o problema maior é a falta de conscientização do povo e governantes brasileiros para a importância da preservação e defesa do meio ambiente. O pensamento simplista em vigor é: se temos gente morrendo de fome aí do lado, como vamos nos organizar para defender a natureza, que parece algo muito abstrato, distante da nossa realidade?
Eliana Souto comenta que a falta de fiscalização, de penalização dos infratores e de preservação do meio ambiente é fruto da precariedade - humana e material - dos órgãos governamentais que atuam no setor. A legislação existente já era boa. O grande problema é a falta de execução. Agora, temos uma nova lei. A pergunta que precisa ser respondida é: e junto com ela virão os recursos financeiros necessários para investimento em recursos humanos e na compra de equipamentos? Se a resposta for negativa, como tem ocorrido nas últimas décadas, a nova lei não passará de mais uma peça de marketing do Governo Federal.
A ambientalista comenta que a situação do meio ambiente brasileiro é bastante ruim e tende a se agravar nos próximos anos, notadamente por falta de educação escolar voltada para mudar a realidade. Temos que começar a entender o meio ambiente como o lugar em que vivemos, e não somente as matas, os rios, as florestas, como continuam ensinando bucolicamente nas escolas, ressalta Eliana Souto. Não dá para melhorar o meio ambiente e a qualidade de vida da população sem reformular a educação das pessoas.
Segundo ela, o problema da degradação ambiental não está sendo atacado de frente porque a sobrevivência do brasileiro não passa - ainda - pela defesa do meio ambiente, porque o Brasil é um País rico em recursos naturais. Como não há uma adequada educação ecológica, a sensibilização do brasileiro infelizmente só pode passar pela necessidade física ou pela penalização financeira, através de multas pesadas, diz Elaine.
De acordo com ela, como a luta a curto prazo do cidadão brasileiro comum é pelo emprego e pela sobrevivência, a defesa do meio ambiente continuará sob responsabilidade dos órgãos governamentais. A nova lei chegou? Tudo bem. E ela traz junto já orçados os recursos necessários para a sua inteira aplicação? Se não trouxer, como há fortes indícios, vamos ficar com aquela sensação de que existe a lei - e que fomos enganados novamente.





