Ambientalista aponta descaso
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quinta-feira, 20 de novembro de 1997
Elisa Marilia Carneiro 
Curitiba
Kraw PenasMaria Tereza Jorge Pádua, presidente da Fundação Pró-Natureza: Existe um funcionário para cada 24 mil hectares de área de conservação. Desnecessário dizer que isso é um problema de segurança nacional. Ela participa hoje do Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, no Teatro da Reitoria da Universidade Federal do ParanáA maioria das autoridades governamentais ignora e não tem interesse pelos problemas ambientais. No Parque Nacional Jaú (o maior do País, na Amazônia, com 2 milhões de hectares), há apenas dois funcionários de campo. Essas foram algumas das informações expostas ontem pela presidente da Fundação Pró-Natureza, Maria Tereza Jorge Pádua, que está em Curitiba participando do Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação.
Com 30 anos de experiência na área ambiental e tendo atuado como presidente do Ibama, Maria Tereza lamenta que a criação das chamadas unidades de conservação não seja prioridade do governo federal. Passa-se ao leigo uma imagem excelente das decisões sobre o meio ambiente, mas a propaganda do governo federal é enganosa, fulmina.
Para todo o sistema de unidades de conservação, onde estão incluídos 37 parques nacionais, 21 estações ecológicas e 23 reservas biológicas, totalizando 18 milhões de hectares, existem apenas 570 funcionários, e a grande maioria trabalhando dentro de escritórios. Simplificando, existe um funcionário para cada 24 mil hectares de área de conservação. Desnecessário dizer que isso é um problema de segurança nacional, analisa.
Maria Tereza afirma que menos de 1% do cerrado, cerca de 0,8% dos recursos marinhos e menos de 0,5% da caatinga estão em áreas protegidas. Mesmo com esse quadro pessimista, a ambientalista reconhece várias iniciativas positivas no País, entre elas a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural, feitas pela iniciativa privada. Na minha avaliação, o Estado que está levando mais a sério as questões ambientais é Minas Gerais.
Com relação ao substitutivo do deputado federal Fernando Gabeira (PV) ao projeto de lei que cria o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, em tramitação desde 1992 no Congresso Nacional, Maria Tereza o define como extremamente perigoso. As unidades de conservação poderiam ser ocupadas para finalidades como a reforma agrária. Para cada item do substitutivo, propusemos alternativas que estão sendo estudadas pela Comissão de Meio Ambiente do Congresso Nacional. Agora temos que pressionar as autoridades, constata.
Hoje, Maria Teresa estará expondo suas idéias e estatísticas durante o congresso, que acontece no Teatro da Reitoria da Universidade Federal do Paraná. O encontro foi aberto domingo à noite e termina hoje.


