Ambientalista alerta para fim da vida útil do lixão
No próximo mês de junho o projeto Lixo que não é lixo completa dez anos. Em novembro, é a vez da Usina de Reciclagem de Campo Magro completar nove. Agora, Curitiba vive o primeiro semestre da coleta de lixo tóxico com a marca de 1,3 toneladas por mês. Aparentemente, com tantas providências para acabar com o problema do lixo, só haveria motivos para comemorar. Mas os ambientalistas, envolvidos com a questão, alertam: é preciso fazer um levantamento do quanto a situação realmente melhorou nesses últimos anos.
Segundo a ambientalista Tereza Urban, uma especialista na questão do lixo curitibano, a situação não é nada boa. E o maior exemplo é mesmo o do aterro sanitário da Cachimba.Pelos planos da prefeitura, explica Tereza, um segundo aterro sanitário já deveria estar em fase de conclusão. Mas na realidade o que acontece é bem diferente.
A ambientalista explica que ainda em 1997, quando se discutia a questão do segundo aterro de Curitiba, a vida útil do aterro da Cachimba já era estipulada até o ano 2001. Mas naquela época, completa ela, as previsões eram otimistas, porque ainda não tínhamos essa explosão de crescimento da cidade. Como em dois anos ainda não teremos chegado nem perto de terminar o aterro, a tendência é comerçarmos o segundo milênio muito mal, alerta.
Um dos maiores problemas, segundo Tereza, é o da conscientização da população curitibana. Nem todo mundo estaria separando o lixo e, com isso, cuidando para prolongar a vida útil do Cachimba.A separação do lixo orgânico e do reciclável é um processo de longo prazo, esclarece Tereza.As pessoas não mudam de conduta só em cima de um ou dois anúncios de TV. Segundo ela, é preciso que haja uma campanha permanente e massante sobre os curitibanos, para que o processo acabe se transformando numa coisa automática.
É o que acontece em lugares como Tókio e Nova York. Lá a separação dependeu de multas, conta Tereza. Já na Inglaterra, os moradores tiveram que pagar taxas de recolhimento de lixo diferentes, de acordo com o volume produzido. Idéia que me parece muito esperta porque levanta também a questão do próprio consumo.
De acordo com a ambientalista, o lixo é o retrato do consumo de uma população, que leva para casa, junto com os alimentos, uma série de quinquilharias. Assim, o consumidor só pode levar para casa o iogurte do filho, se levar também a bandeja plástica e as tampas de alumínio. Só pode levar a carne, se junto for o prato de isopor. E, na hora de separar o que deve ou não ir para o lixo, vem a confusão.
Na Alemanha, exemplifica Tereza, há os chamados pontos verdes. Lugares, nos próprios supermercados, onde o consumidor pode deixar as embalagens vazias para que as indústrias fabricantes dêem um fim. Mas e aqui? O que fazemos com o que não é vidro, nem papel? Eu mesma quando vou separa o meu lixo, fico sempre na dúvida.





