Um canal de aproximadamente cinco quilômetros está sendo reaberto e ampliado no meio da mata atlântica, entre Pontal do Paraná e Matinhos no litoral do Estado. O Fórum das Entidades Ambientalistas da Região Metropolitana de Curitiba pediu, ontem, ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) esclarecimentos sobre a obra. ‘‘Pelo que está feito, com certeza sem nenhum estudo de impacto ambiental, pediremos a exoneração e a prisão preventiva dos presidentes do IAP, José Andriguetto; da Suderhsa, Nicolau Kluppel, e do secretário estadual do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura’’, afirma José Álvaro Carneiro, membro do fórum e presidente da Liga Ambiental do Paraná.
Carneiro diz que, pelo que foi fotografado de helicóptero na última sexta-feira, está caracterizado crime ambiental previsto pelo Decreto/Lei 750, de proteção à floresta atlântica. A floresta atlântica é uma área de proteção ambiental (APA) e toda grande obra num local como esse deve ser motivo de estudo de impacto ambiental. Carneiro reconhece que interferir na biodiversidade da mata atlântica pode condenar à morte espécies ameaçadas de extinção.
Reabertura - Segundo o diretor presidente da Superintendência de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), Nicolau Kluppel, a obra nada mais é do que a reabertura do canal construído na década de 60, e que estava abandonado desde que foi extinto o Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS). ‘‘Estamos fazendo a limpeza e redrenagem de vários canais, num total de 150 quilômetros de extensão. Não fizemos qualquer estudo de impacto ambiental, por ser uma reabertura. Acreditamos não estar prejudicando o meio ambiente, apenas salvando a população local de futuras enchentes’’, afirmou.
Kluppel garante que a obra tem quase dois anos e todo o trabalho de drenagem dos 150 quilômetros de canais deve terminar em final de julho desse ano. A obra, segundo o diretor da Suderhsa recebeu verba de R$ 7 milhões em financiamentos da Caixa Econômica Federal. ‘‘Temos autorização do IAP e do Ibama’’, garantiu.
Para o procurador de Meio-Ambiente Saint Clair Honorato Santos, nesse local realmente foram abertos canais há muitos anos. ‘‘Não tenho conhecimento sobre essa obra de reabertura, mas suponho que seja um trabalho de dragagem da Suderhsa, que a Polícia Florestal teria embargado há cerca de seis meses’’, afirma. ‘‘Nós embargamos o funcionamento da draga nesse canal numa fiscalização porque não havia licença’’, recorda o comandante da 2º companhia da Polícia Florestal do litoral, capitão Celso Roberto Fior. O desembargo é responsabilidade do IAP.
O chefe da Regional do IAP no litoral, Wilmar Wolff Coradin, afirma que foram concedidas à Suderhsa pelo IAP três licenças: prévia, de instalação e de operação. O Ibama autorizou ainda o desmate em pontos que fossem necessários para depositar a areia retirada dos canais. ‘‘A nossa maior preocupação é acabar com as enchentes’’, diz.
Corandin explica que a obra vai baixar o lençol freático e que as águas pluviais ficarão dentro dos canais não mais indo para o mar. Para o ambientalista José Álvaro, porém, o lençol freático poderá subir e inundar a mata prejudicando o meio ambiente.
Os canais têm de 25 metros a dez metros de largura num total de 150 quilômetros de extensão. Enquanto abandonado, teria apenas alguns centímetros de vazão.DivulgaçãoMeio-ambienteÁrea de mata atlântica onde está sendo realizada a obra denunciada pelo fórum de ambientalistasElisa Marilia Carneiro

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