A psicóloga comportamental Hellen Melo, de Londrina, acredita que as famílias sem filhos fazem parte de um novo conceito, resultado da presença das mulheres no mercado de trabalho. ''Elas percebem que a dedicação à profissão tem um custo e às vezes não estão dispostas a dividir o tempo com os filhos. Há mulheres que ocupam cargo de chefia, que ganham mais que o marido. Uma carreira brilhante exige dedicação'', disse.
A psicóloga considera complexo dividir o tempo entre o trabalho e a família. ''É uma decisão pessoal e a pessoa tem o direito de fazer esta opção sem que receba julgamento por isso. Mas considero importante que a mulher identifique os fatos que a influenciaram, desta forma a decisão se torna mais leve e clara'', destacou.
A diminuição das famílias com o passar dos anos é um assunto que merece destaque. Para a psicóloga, é importante pensar se a carreira sempre vai ocupar um espaço grande na vida da mulher. ''Pode ser que naquele momento ela não sinta necessidade de ter um filho, mas será que isso não vai mudar um dia?'' Para Hellen a decisão deve partir do casal para que futuramente não haja cobrança.
Para o psicólogo Samir Mussi, não há nada de anormal em não querer ter filhos. ''É da espécie humana ter filhos, mas não incluí-los nos planos também é supernatural, desde que seja pensado'', afirmou. Ele destaca que as duas decisões devem ser avaliadas com cautela. ''Ambas são questões irreversíveis. Filho muda a rotina do casal e é preciso estar preparado para tê-lo. Da mesma forma que ainda é difícil assumir que não quer ter filhos.'' (M.A.)

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