A Amazônia está sofrendo uma espécie de ''ocupação silenciosa'', sem que as autoridades brasileiras esbocem qualquer tipo de reação. A afirmação é da professora Maria Leonor da Silva Teixeira, que faz parte do corpo de docentes da Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro, há 11 anos e visita a floresta amazônica com certa frequência. Ela esteve em Londrina recentemente e manifestou esta preocupação durante conferência do Ciclo de Estudos promovido pela representação regional da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, que se realiza na Faculdade Arthur Thomaz.
Um dos aspectos que mais decepciona a professora é a presença de ONGs estrangeiras na região, interferindo de forma direta na demarcação de terras indígenas. Segundo ela, há vários exemplos de áreas indígenas fazendo limites com outros países, o que não é permitido pela Constituição brasileira, que estabelece uma distância mínima de 150 quilômetros para esta finalidade. Para ela, há evidências claras do interesse da ocupação estrangeira na região. Coincidência ou não, é exatamente nas áreas indígenas que estão localizadas as maiores riquezas naturais da Amazônia.
A professora afirma que há um conceito generalizado nos Estados Unidos de que a Amazônia não pertence ao Brasil. Ela apresentou, inclusive, um mapa usado em algumas escolas americanas mostrando que a Amazônia não faz parte do território brasileiro e de outros países limítrofes.
Maria Leonor disse que a ocupação indígena na Amazônia tem algumas particularidades difíceis de serem entendidas. Ela explica que esteve há pouco tempo em Roraima e percorreu dezenas de quilômetros próximos a uma área indígena sem notar sequer a presença de um índio.
Quanto aos interesses estrangeiros, ela diz que isto fica evidente também ao observar que os índios de algumas tribos têm excesso de recursos modernos de tecnologia, tomam uísque estrangeiro, fumam charutos e têm carros importados, e alguns têm até ''olhos azuis''.
O mais preocupante, na visão da professora, é que este tipo de ação acontece com o respaldo do governo federal, porque algumas destas organizações têm trânsito livre em Brasília. Para ela, é evidente a omissão do governo na Amazônia e as ONGs estrangeiras se aproveitam desta brecha. ''O que falta é a presença do Estado brasileiro na região'', afirma.
A professora explica que a população brasileira ainda não se deu conta da gravidade do problema, pensando que tudo acontece normalmente, quando o País corre um sério risco de perder a autonomia na região. Maria Leonor mostrou as frases de várias autoridades mundiais, nos últimos 20 anos, falando sobre ''a necessidade de uma intervenção internacional na Amazônia''. Em 1992, o ex-primeiro ministro britânico John Major disse: ''As campanhas ecológicas internacionais sobre a Amazônia estão deixando a fase propagandista para dar início a uma fase que pode ensejar definitivamente interesses militares sobre a região''.
A estudiosa afirmou que a sociedade precisa refletir um pouco mais sobre outro detalhe: que o Brasil não teria capacidade militar de reagir à uma intervenção estrangeira na Amazônia ''porque as Forças Armadas estão muito enfraquecidas''. Segundo ela, isto se deve a uma política de desvalorização das Forças Armadas no País, cujos investimentos foram reduzidos em cerca de 75% nos últimos anos.
De acordo com a professora, não é só a Amazônia Legal que desperta o interesse de outros países, mas também a Amazônia Azul, uma referência ao mar territorial brasileiro. Ela disse que a descoberta de uma grande reserva de petróleo na Bacia de Campos deixou os Estados Unidos com as ''orelhas em pé'', o que motivou a mobilização estratégica de uma esquadra americana para o Atlântico Sul.

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