Lino Ramos
De Londrina
Especial para a Folha
A Associação Metodista de Assistência Social (Amas) vai administrar a Comunidade Terapêutica de Londrina, entidade criada para atender menores dependentes de drogas. O contrato de gestão com o município foi assinado ontem de manhã entre o prefeito Antonio Belinati (PFL), a presidente da Amas, Suzete Varaschim Correia de Oliveira, e a secretária de Ação Social, Marisa Goettel do Nascimento.
A Comunidade Terapêutica tem 914 metros quadrados e foi construída com verbas do Conselho Estadual de Defesa da Criança e Adolescente e do Fundo para a Infância e Adolescência (FIA). O Centro de Apoio ao Drogado (CAD) de Londrina teve participação fundamental para conseguir verbas para complementar o custo total da obra, orçada em R$ 300 mil, concluída no ano passado.
Desde o primeiro semestre do ano passado a prefeitura vinha procurando um parceiro para administrar a unidade. Suzete Varaschim afirma que a Igreja Metodista está desenvolvendo um amplo projeto para atender adolescentes, chamado Usina da Esperança e a idéia de administrar a Comunidade Terapêutica surgiu em maio deste ano. ‘‘A Comunidade Terapêutica faz parte de nosso projeto Usina da Esperança, para atender menores carentes’’, explicou.
A secretária de Ação Social reconheceu que houve dificuldades para definir quem assumiria a administração da entidade. ‘‘Ficamos um bom tempo num empurra para saber quem iria assumir essa obra. Também tivemos dificuldade para definir o seu sistema administrativo’’, esclareceu.
A opção foi adotar o mesmo sistema da Escola Paulista de Medicina com o projeto Quixote, onde os menores permanecem em tratamento durante o dia e voltam para suas casas à noite. A rede municipal de saúde dará apoio para as crianças que precisarem de internação.
O secretário-executivo da Amas, Carlos Trindade, calcula que a manutenção da Comunidade Terapêutica custará R$ 30 mil mensais. A prefeitura irá repassar R$ 13 mil por mês e a entidade irá se responsabilizar pelo restante dos custos. A Comunidade Terapêutica deve entrar em funcionamento em fevereiro do ano que vem, atendendo 60 crianças por dia. Nesse período, a Amas irá promover uma adequação no prédio, localizado no Jardim Eucaliptos (Zona Norte) e receber consultoria da Escola Paulista de Medicina, trabalho que deverá custar R$ 72 mil. A unidade terá uma equipe de 30 pessoas entre funcionários e voluntários, com psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais.
O juiz da Vara da Infância e Juventude, Dimas Hortêncio de Melo, afirma que 98% dos adolescentes infratores têm envolvimento com substâncias entorpecentes. ‘‘Geralmente eles roubam para comprar drogas’’, comenta. Segundo o juiz, a idéia de se construir uma unidade para tratar os adolescentes surgiu há vários anos, durante reunião com pessoas que estavam preocupadas com esse problema social.
De acordo com a promotora Édina Maria Silva e Paula, o Estatuto da Criança e do Adolescente atribui a responsabilidade sobre o menor infrator ao Estado, à família e à sociedade. ‘‘Outro dia recebi uma menina de 12 anos acusada de tráfico que recebia R$ 200. Mas estão te explorando?, comentei. Aí ela me disse que era R$ 200 por dia’’.
A Igreja Metodista levou para a solenidade Alex Macedo, 26 anos, ex-líder do Comando Vermelho na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro. Ele disse que começou a trabalhar para o CV aos 10 anos e usou armas como fuzis AK-47 e AR -15. ‘‘Há oito anos troquei o tráfico pela religião. Não tenho medo porque os líderes consideram uma vitória do comando quando alguém deixa o tráfico pelo Evangelho’’, comentou.Contrato para administrar entidade foi firmado ontem entre prefeitura e Associação Metodista de Assistência Social
Dorico da SilvaPARCERIAPrédio onde funcionará a Comunidade Terapêutica; no detalhe, o prefeito Antonio Belinati cumprimenta Carlos Trindade

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