Maringá - A vontade de amamentar nem sempre é suficiente para manter o aleitamento materno exclusivo por seis meses e complementar a outros alimentos até os dois anos de idade ou mais, como preconiza a Organização Mundial de Saúde (OMS). De acordo com Rita de Cássia Inocente Kikuchi, presidente do Comitê de Aleitamento Materno de Maringá, a falta de informação e apoio familiar ainda são responsáveis pela introdução desnecessária de mamadeiras e consequente desmame precoce dos bebês.
Para envolver as famílias no processo de amamentação e mostrar que dar o peito é algo natural, o comitê realizou ontem o evento ''Amamentando na Praça'', que integrou as atividades da XVIII Semana Mundial de Amamentação. Gestantes, mães lactantes e avós participaram de um café da manhã e assistiram à peça teatral ''Faça sol ou faça chuva, seu escudo é o guarda-chuva... com terremoto ou enchente no mar, seu escudo é amamentar'', do grupo ''Los Muchos'', de Ribeirão Preto (SP).
''Por falta de informação, as avós acabam contribuindo para a introdução da mamadeira'', apontou Rita. Segundo ela, por vontade de ajudar nos momentos de choro dos bebês, elas orientam o uso de chás, água ou até mesmo leite artificial. ''Amamentar não é fácil, e fica ainda mais difícil sem o incentivo das avós e familiares'', considerou.
A enfermeira Débora Asbar de Souza, mãe de Bruna, 17, e avó do pequeno Mateus Henrique, de seis meses, teve participação fundamental na manutenção do aleitamento materno exclusivo no primeiro semestre de vida do neto. ''Minha mãe me deu vários materiais para ler e me ajuda bastante, assim como o resto da família. Pretendo dar o peito ao Mateus até quando ele quiser'', disse Bruna.
Débora, que amamentou o filho mais novo, Luis Felipe, por dois anos, observou que o menino teve menos problemas de saúde que os dois mais velhos, que mamaram por poucos meses. ''Por isso incentivamos e apoiamos a Bruna'', afirmou ela, que repassa informações também para o marido da filha.
Madrinha da semana de amamentação de Maringá, a pedagoga Lucilene Marinozzi Bortolossi comemora nesse mês a manutenção do aleitamento exclusivo nos primeiros seis meses dos gêmeos Pedro e Maria Fernanda. ''Minha mãe e minhas irmãs amamentaram por bastante tempo e me incentivaram'', disse ela, valorizando também a participação do marido, o analista de sistemas André Roberto Bortolossi, no processo. ''Ele acorda à noite, pega as crianças no colo. Sem essa ajuda eu não conseguiria, pois já cheguei a dar 20 mamadas por dia. Amamentar gêmeos não é fácil'', declarou.
A dona de casa Ednéia Castilho Guedes, mãe de Camilly Vitória, de 18 meses, atribui à amamentação prolongada a superação das consequências da toxoplasmose que teve na gravidez. ''Graças ao leite materno ela adquiriu imunidade e teve mais condições de superar as dificuldades'', afirmou a mãe, que pretende amamentar a filha até os três anos, como fez com os dois primeiros filhos.

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