Milton Dória‘Viva o peito’A enfermeira Lilian Consolin Poli: ‘Leite materno é o alimento mais puro e ecológico que existe’ ‘‘Amamentar é um ato ecológico.’’ Esse é o tema que vai nortear as atividades durante a Semana Mundial da Amamentação, que começa sexta-feira e vai até 7 de agosto. Em Londrina, os profissionais que atuam no Comitê de Aleitamento Materno (Calma) já estão se reunindo para definir estratégias de divulgação do aleitamento materno durante a Semana.
Segundo a enfermeira da Autarquia Municipal de Saúde, Lilian Mara Consolin Poli, que é integrante do Calma, um dos pontos altos da comemoração da Semana Mundial da Amamentação em Londrina será o show ‘‘Viva o Peito’’, que acontece em 8 de agosto no anfiteatro do Zerão, às 17 horas. ‘‘Durante a semana estaremos realizando atividades internas nas instituições que participam do Calma. O show será um momento em que pretendemos despertar toda a comunidade para a importância da amamentação.’’
Lilian Poli explicou que o tema da Semana pretende lembrar que o leite materno é um alimento natural, feito especialmente para o ser humano. ‘‘Queremos mostrar os benefícios que o aleitamento traz à humanidade e marcar o leite materno como o alimento mais ecológico. Ele é puro e contém tudo que um bebê precisa.’’
O Calma é um movimento que está atuando em Londrina há dois anos. Seu objetivo é desenvolver ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. O comitê envolve hospitais, clínicas e instituições de ensino. ‘‘Buscamos a promoção do aleitamento desde antes da gravidez, através da conscientização, durante e após o parto.’’
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos profissionais são os tabus em torno do aleitamento. ‘‘As mães precisam de segurança ao amamentar, mas são bombardeadas com informações errôneas que acabam desestimulando.’’
Lilian Poli contou que um desses tabus é o leite fraco. ‘‘Não existe leite fraco. O leite materno é perfeito para o bebê e deve ser a única fonte de alimentação até os seis meses’’, afirmou. A falta de leite é provocada pela falta de estímulo - portanto a recomendação é que não se deve dar bicos ou mamadeiras para o bebê. A enfermeira lembra que, quanto mais amamentar, mais leite a mãe vai produzir.
Além das atividades da Semana Mundial da Amamentação, está previsto para setembro, em Londrina, o 5º Encontro Nacional de Aleitamento Materno. As reuniões da Comissão Organizadora também estão acontecendo. A professora do Departamento de Enfermagem da UEL Marli Vannuchi explicou que o evento vai reunir especialistas em aleitamento de todo o País.
‘‘Londrina foi escolhida para sediar o evento em função dos trabalhos que temos desenvolvido aqui, através do Calma, e de trabalhos anteriores’’, disse. Estudo realizado no ano passado pelo comitê mostrou que 50% das crianças pesquisadas em Londrina foram amamentadas pelas mães até o sétimo mês de vida. Dados da década de 70 apontam um percentual bem diferente: 43% das crianças recebiam leite artificial já no primeiro mês de vida.
Um dos resultados desse aumento no número de mães que amamentam, segundo Marli Vannuchi, é a redução significativa que o município tem observado no índice de mortalidade infantil. ‘‘Claro, não é só por causa da amamentação que o índice caiu, mas é um fator importante’’.
A estimativa é que o evento reúna 800 participantes. Os temas abordados vão desde ‘‘Proteção do aleitamento materno’’ e ‘‘Aspectos psicológicos e sociais da amamentação’’ até ‘‘Disfunção oral e aleitamento materno’’ e ‘‘O município e aleitamento materno’’. Marli Vannuchi lembrou que, além das palestras e mesas redondas, diversas atividades vão marcar o evento, entre elas o 1º Festival do Minuto sobre amamentação e a Reunião dos Bancos de Leite Humano do Brasil.

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