Ao contrário do que dizem os garimpeiros, o presidente da Autarquia do Meio Ambiente, Nelson Takeo Kohatsu, garante: não houve aumento do número de pessoas que trabalham no Lixão da zona leste. ‘‘Isso é invenção. Até porque nós temos feito um trabalho para manter esse número, de trinta e poucos, e eles mesmos não deixariam que outras pessoas entrassem no local’’, aponta. ‘‘Se houvesse 50 pessoas trabalhando lá, aquilo se transformaria num inferno ao quadrado.’’
Kohatsu acredita que não exista explicação coerente para a reclamação dos garimpeiros. ‘‘Acho até que é uma questão de dizer que eles não são os únicos que estão naquelas condições. Essa é a única opção que eles conseguiram, trabalham lá por falta de alternativa, como último recurso’’, acredita. ‘‘É uma questão difícil, social. Mesmo porque há muita dignidade naquele pessoal, que estão trabalhando ao invés de roubar ou fazer outra coisa.’’
O presidente da AMA acrescenta que o controle para evitar aumento no número é feito diariamente, por funcionários da Autarquia e também pelo fiscal da Vega-Sopave. O fiscal, no entanto, acabou admitindo à reportagem que existe excesso de garimpeiros. A presença de crianças no Lixão, depois do último cadastramento, é classificada pelo presidente da AMA como ‘‘esporádica’’.
Sobre os equipamentos de segurança, Kohatsu diz não ter condições de obrigar que eles sejam usados, mas garante que entregou - além de botas e luvas - máscaras de proteção para todos os cadastrados. ‘‘Não se pode manter um padrão de qualidade com pessoas que estão naquelas condições.’’
Kohatsu observa ainda que a solução parcial para diminuir o problema dos garimpeiros está na construção de uma usina de reciclagem de lixo - ainda sem data e local definidos -, que iria absorver mão-de-obra do próprio Lixão. Enquanto isso, a AMA está viabilizando um outro aterro sanitário, mas também sem data e local definidos. ‘‘Esperamos que seja no menor tempo possível.’’
(Lúcio Horta)

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