AMA interdita obra em parque César AugustoConstrução do dissipador de água no Arthur Thomas: AMA não sabia da obra em área de preservação Osmani Costa De Londrina Vinte metros de comprimento por três metros de largura, com uma manilha de captação com 1,5 metro de diâmetro. A obra, de concreto, está sendo construída há 30 dias pela MJB Engenharia, dentro do Parque Municipal Arthur Thomas, área de preservação ambiental permanente, na zona sul de Londrina. Somente ontem, a uma semana de chegar ao fim, a obra – orçada em aproximadamente R$ 120 mil – foi descoberta e interditada pela Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). A obra, denominada ‘‘dissipador de águas’’, foi projetada e encomendada à MJB pela Secretaria Municipal de Obras, juntamente com mais algumas galerias e 350 metros de ligações de águas pluviais no bairro vizinho do parque. ‘‘Mandei paralisar a construção, assim que tomei conhecimento dela. Nossos técnicos estão fazendo estudos para precisar quais são os impactos negativos que o dissipador pode trazer para o parque. Estamos muito preocupados em reverter ou pelo menos minimizar estes possíveis estragos’’, afirmou o presidente da AMA, Rubens Canizares, no final da tarde de ontem. No início da tarde, os operários ainda trabalhavam na obra. Eles chegaram a comentar com ironia que a AMA demorou um mês para descobrir a construção do dissipador. Isto, porque a sede da AMA também fica dentro do Arthur Thomas, a poucos metros da obra, separada por uma represa e pequena faixa de mata nativa. É nesta mata que se ‘dissiparão’ os milhares de litros de água trazidos pelas galerias pluviais dos bairros da região a cada nova chuva. ‘‘Houve sem dúvida negligência de nossos fiscais e vigias’’, comentou Canizares. Ele disse ter mantido contato com a Secretaria de Obras para pedir a suspensão da obra, que pode levar ao fim o recebimento do ICMS ecológico, incentivo do governo do Estado para a manutenção de áreas de preservação ambiental. ‘‘Estamos muito preocupados. Foram cortadas árvores e houve crime ambiental, porque a construção do dissipador causou danos diretos e indiretos ao meio ambiente.’’ Canizares disse que a solução para o problema será definida em conjunto com o secretário municipal de Obras, José Righi de Oliveira, assim que este voltar das férias, na próxima semana. O secretário interino, Sadao Utyama, não quis comentar os possíveis prejuízos que a obra causaria ao parque e nem a falta de comunicação da Secretaria de Obras à AMA antes do início da construção.