AMA detecta vazamento em fundo de vale do Cambezinho
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segunda-feira, 24 de agosto de 1998
Célia Baroni e Benê Bianchi 
Miguel Palugan, 32 anos, começou ontem em uma nova função. Funcionário municipal há 11 anos, trabalhando na Autarquia do Meio Ambiente (AMA) nos últimos quatro anos, a partir de agora ele é responsável pela fiscalização dos fundos de vales do Ribeirão Cambezinho que forma o Igapó. A função foi criada pela AMA na última sexta-feira, durante reunião da Comissão Permanente em defesa do Lago Igapó, da Câmara de Vereadores. O objetivo do trabalho é permitir um maior controle dos agentes e ações poluidoras do fundo de vale e do ribeirão, disse o presidente da AMA, Mauro Maggi, na reunião com os vereadores.
O trecho tem cerca de 12 quilômetros de extensão e vai da ponte que separa o Jardim Bandeirantes do Novo Bandeirantes (zona oeste) até o Parque Arthur Thomas (zona sul). É recortado por afluentes do Ribeirão Cambezinho, redes de esgoto oficiais e clandestinas, e rede pluvial da cidade.
A comunidade vai saber a quem reclamar e terá um retorno mais ágil de suas denúncias, afirmou Palugan. Segundo ele, a criação de um fiscal fixo para o trecho é um trabalho preventivo, diz.
Ontem, já nas primeiras horas de trabalho, Palugan encontrou dois vazamentos na rede de esgoto da Sanepar no fundo de Vale do Jardim Sabará. No percurso, próximo a avenida Arthur Thomas, também conseguiu evitar que um carroceiro despejasse entulhos no fundo de vale.
Segundo Palugan, a Sanepar será informada que há problemas de vazamento em sua rede de esgoto e a AMA já se comprometeu a retirar todo o lixo depositado nas águas e margens do ribeirão. Próximo aos vazamentos foram encontrados desde móveis, como sofá e televisão, até cachorros mortos. Com relação ao problema da rede de esgoto, o fiscal informa que, aparentemente, trata-se de vazamento oriundo de lavanderia, devido à cor azulada da água.
Além fiscalizar, Palugan tem poderes para notificar e autuar os infratores. Ontem foi dia de reconhecimento da área. Acompanhado do vice-presidente da Patrulha das Águas, João Batista Souza, o fiscal do Igapó percorreu todo a extensão do fundo de vale do Igapó de carro. Mas a partir de hoje o trajeto será feito diariamente de motocicleta. Mapas da rede fluvial e de esgoto da cidade vão ajudar o trabalho.
Antes, um vazamento de esgoto podia demorar meses para ser descoberto e ficava lançando dejetos no Cambezinho. Com uma fiscalização diária isto será minimizado, acredita Souza. Na próxima sexta-feira os vereadores, instituições e entidades ligadas à preservação do meio ambiente voltam a se reunir na Câmara de Vereadores para discutir o projeto de uma campanha permanente de conscientização, para preservação do Igapó junto à comunidade.


