Miguel Palugan, 32 anos, começou ontem em uma nova função. Funcionário municipal há 11 anos, trabalhando na Autarquia do Meio Ambiente (AMA) nos últimos quatro anos, a partir de agora ele é responsável pela fiscalização dos fundos de vales do Ribeirão Cambezinho que forma o Igapó. A função foi criada pela AMA na última sexta-feira, durante reunião da Comissão Permanente em defesa do Lago Igapó, da Câmara de Vereadores. ‘‘O objetivo do trabalho é permitir um maior controle dos agentes e ações poluidoras do fundo de vale e do ribeirão’’, disse o presidente da AMA, Mauro Maggi, na reunião com os vereadores.
O trecho tem cerca de 12 quilômetros de extensão e vai da ponte que separa o Jardim Bandeirantes do Novo Bandeirantes (zona oeste) até o Parque Arthur Thomas (zona sul). É recortado por afluentes do Ribeirão Cambezinho, redes de esgoto oficiais e clandestinas, e rede pluvial da cidade.
‘‘A comunidade vai saber a quem reclamar e terá um retorno mais ágil de suas denúncias’’, afirmou Palugan. Segundo ele, a criação de um fiscal fixo para o trecho ‘‘é um trabalho preventivo, diz.
Ontem, já nas primeiras horas de trabalho, Palugan encontrou dois vazamentos na rede de esgoto da Sanepar no fundo de Vale do Jardim Sabará. No percurso, próximo a avenida Arthur Thomas, também conseguiu evitar que um carroceiro despejasse entulhos no fundo de vale.
Segundo Palugan, a Sanepar será informada que há problemas de vazamento em sua rede de esgoto e a AMA já se comprometeu a retirar todo o lixo depositado nas águas e margens do ribeirão. Próximo aos vazamentos foram encontrados desde móveis, como sofá e televisão, até cachorros mortos. Com relação ao problema da rede de esgoto, o fiscal informa que, aparentemente, trata-se de vazamento oriundo de lavanderia, devido à cor azulada da água.
Além fiscalizar, Palugan tem poderes para notificar e autuar os infratores. Ontem foi dia de reconhecimento da área. Acompanhado do vice-presidente da Patrulha das Águas, João Batista Souza, o fiscal do Igapó percorreu todo a extensão do fundo de vale do Igapó de carro. Mas a partir de hoje o trajeto será feito diariamente de motocicleta. Mapas da rede fluvial e de esgoto da cidade vão ajudar o trabalho.
‘‘Antes, um vazamento de esgoto podia demorar meses para ser descoberto e ficava lançando dejetos no Cambezinho. Com uma fiscalização diária isto será minimizado’’, acredita Souza. Na próxima sexta-feira os vereadores, instituições e entidades ligadas à preservação do meio ambiente voltam a se reunir na Câmara de Vereadores para discutir o projeto de uma campanha permanente de conscientização, para preservação do Igapó junto à comunidade.

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