AMA admite: um lago manda terra para outro
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segunda-feira, 01 de outubro de 2001
Lúcio Flávio Moura<br> De Londrina 
O presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Luiz Eduardo Cheida, admitiu ontem que as obras no Lago Igapó 2, de responsabilidade da Secretaria de Obras, acentuam o problema de assoreamento no lago principal, na área central de Londrina. ''O problema já existia, mas é evidente que toda a movimentação de terra que está ocorrendo no canteiro também prejudica o lago 1'', disse. Cheida também reconheceu que não há nenhum tipo de controle sobre o lançamento de terra no lago principal.
Na reunião de sexta-feira do Conselho Municipal de Meio Ambiente foi composta uma comissão para colher informações técnicas sobre a obra no Igapó 2. ''Os conselheiros se queixaram de falta de informações precisas sobre o que está acontecendo no canteiro'', justificou Cheida. Na noite de ontem, um encontro entre os membros definiria qual estratégia seria adotada para acompanhar de perto todas as etapas da obra.
A implementação do projeto de despoluição da Bacia do Ribeirão Cambezinho, que forma o conjunto de quatro lagos em Londrina, será antecipado a pedido do conselho. ''Houve uma mudança de postura após a reunião. Antes, a idéia era concluir as obras no Igapó 2 para começarmos a despoluir toda a bacia. Agora decidimos começar o trabalho imediatamente, antes que a situação se agrave'', disse.
Uma reunião extraordinária do conselho deve ser convocada esta semana. Devem participar representantes da Sanepar, considerada a maior poluidora da bacia, da Secretaria de Obras e dos departamentos de Biologia e Arquitetura da Universidade Estadual de Londrina, que está concluindo o projeto.
O ambientalista João Batista Souza Moreira, líder da ONG Patrulha das Águas, defende a paralisação das obras no lago 2. Ele criticou a ''ineficiência'' dos secadores instalados no leito do lago e a maneira como está sendo escavado um canal lateral para escoar a água. ''Pelos danos ambientais nos lagos, as chuvas dos últimos dias parece que não foram previstas. O canal tem pouca profundidade, aumenta o problema do assoreamento, torna a obra mais cara e demorada'', ressaltou.
O secretário de Obras e vice-prefeito, Luiz Carlos Bracarense, cuja formação é de engenheiro civil, assegurou que as chuvas ainda não prejudicaram o cronograma para a entrega da obra, prevista para 10 de dezembro. Bracarense também disse que não há nenhum problema inesperado no canteiro e que as chuvas não aumentaram o volume de lama no leito do lago 2.


