Hoje é o Dia mundial de combate ao Mal de Alzheimer. Pesquisas apontam que cerca de 10% das pessoas com mais de 65 anos apresentam sinais referentes à doença. ''O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva e incurável que leva as pessoas a perderem a mente'', explicou o psiquiatra Eduardo Prado, de Londrina. Junto com a perda de memória os pacientes perdem também a capacidade de falar e a coordenação motora.
O psiquiatra afirmou que no Brasil as famílias tendem a negligenciar os sinais do Alzheimer porque a maioria acha que velhice é sinônimo de perda cognitiva. ''Quando o paciente sente que está com a linguagem ou a memória prejudicada é hora de investigar. Nem tudo é Alzheimer, há outras demências que são reversíveis e por isso é preciso procurar um médico. Algumas demências se tornam incuráveis após a evolução'', destacou. Ele disse que o esquecimento é normal, mas quando se torna intenso e começa a prejudicar a vida da pessoa é necessário entender o motivo. As avaliações indicadas para diagnosticar o problema são neuropsiquiátrica e neuropsicológica.
Conforme o médico, esta é uma das doenças mais estudadas nas áreas da psiquiatria e neurologia porque existe uma previsão de crescimento do diagnóstico de Alzheimer na população por conta da ampliação da expectativa de vida. ''Já observamos que está causando impacto na saúde pública. A previsão é que em 2050 cerca de 25% das pessoas com mais de 65 anos tenham a doença'', disse.
De acordo com o médico, a expectativa de vida dos pacientes após o início dos sintomas varia entre oito e dez anos. São diversos os tipos de Alzheimer e a doença é parcialmente genética. ''Os estudos apontam que as pessoas que possuem determinado gene têm mais chances de ter a doença. Apesar desta constatação, a presença deste gene no DNA não dá 100% de certeza de que a ela vai desenvolver o problema'', afirmou. Atualmente o exame que identifica este gene é utilizado apenas para fins de pesquisa.
O especialista disse que, além da genética favorável, as causas ambientais também estão relacionadas ao aparecimento do Alzheimer e a doença é considerada multifatorial. ''Não se sabe exatamente o que leva ao início da doença, mas identificamos que pessoas sedentárias, com baixa atividade intelectual e que levam ou levaram traumas - pancadas - recorrentes na cabeça possuem chances ampliadas de desenvolver o problema'', explicou.
Prevenção
Apesar das indicações, ele destacou que não existe nada comprovadamente eficaz que garanta a prevenção, mas há itens que podem contribuir. ''Uma dieta com alimentos antioxidantes e ingestão de algumas vitaminas com frequencia, como a vitamina C, são benéficas para a saúde'', afirmou. Segundo o médico, também é recomendado realizar atividades física aeróbica e intelectual. ''Além de fazer palavras cruzadas as pessoas podem jogar xadrez, ler jornal e discutir as notícias com alguém da família. Tudo isso exercita o cérebro'' acrescentou o médico.
Prado afirmou que, após o início dos sintomas, não há nada que possa interromper o desenvolvimento do Alzheimer. ''São mais de 250 novas drogas sendo pesquisadas atualmente para combater ou frear o Alzheimer nos vários estágios da doença'', afirmou o médico. Atualmente os remédios utilizados pelos pacientes são paliativos, ou seja, melhoram a cognição, mas não atrasam a evolução da doença.

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