Alvorada do SulCrateras de mais de um metro de diâmetro com intervalos de poucos metros, acostamentos tomados por montes de terra ou pelo mato, sinalização horizontal apagada.
Os 25 quilômetros da PR-090 entre Alvorada do Sul e Bela Vista do Paraíso se tornaram um campo para provas de perícia ao volante. A Folha percorreu todo o trajeto e constatou que a operação tapa-buraco solução emergencial adotada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) não é suficiente para reduzir o risco de acidentes. Com o longo período de chuvas, a terra colocada nos buracos se transforma em lama e vai se acumulando no acostamento, estreitando a área de tráfego.
Não é difícil avistar camadas inteiras de pneus e calotas à margem da pista, provas materias de transtornos que nenhum motorista quer enfrentar. Sem falar no risco de atropelamento dos pedestres, não tão raros em uma área de agricultura intensiva, e das crianças que aguardam os ônibus escolares prostradas no que seria o acostamento.
As carretas que trafegam na rodovia trilham um caminho em zigue-zague para preservar pneus e amortecedores, os equipamentos que mais sofrem com o terreno irregular do pavimento. Restam aos carros de passeio, uma atitude defensiva, o que significa em muitas ocasiões pôr o pé no freio até que o veículo pare.
''Não tem jeito, não dá para arriscar porque parar, a carreta não vai'', conta o pastor Ademir Alves, 25 anos, que circula na região pregando o Evangelho e usa toda a sua fé para não se apavorar em situações extremas. ''Estou tão revoltado com o estado da estrada que por mim fazia uma manifestação mais radical. Queimaria pneus e encheria a pista de galhos até que as máquinas começassem a trabalhar'', afirma, se referindo à manifestação realizada ontem de manhã.
No comando do movimento que defende obras no trecho estão três homens moderados: o presidente da Associação Comercial e Industrial de Alvorada do Sul (Acias), Alessandro Luís Búfalo, 29 anos; o operador de colheitadeira Cezar Antonio Pícolo, 38; e o estudante de direito e presidente da Associação Estudantil local (entidade que reúne universitários que se deslocam todas as noites para Londrina), Adriano Vertuan, 21 anos.
Porém, a moderação do trio pode estar com os dias contados. Ela depende da capacidade de argumentação das autoridades para convencê-los que as promessas de melhorias saiam do papel. Depois de tentarem alertar o poder público por ofícios, ontem eles partiram para ação.
Colocaram ônibus e caminhões em um ponto a 14 quilômetros de Alvorada, justamente no trecho onde as condições são mais precárias. Das 8 às 11h30, o tráfego supervisionado pela Polícia Rodoviária foi bloqueado. Segundo os organizadores, a modalidade de protesto pode ser repetida, desta vez por um tempo maior.
Entre os veículos retidos na estrada, protestos bem humorados. Os buracos foram preenchidos das mais criativas formas: calotas, estribo de caminhão, placas de carro, pé de milho e por um ''pesque-pague'' na calota maior.

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