Mais de 53 mil vestibulandos e 2,8 mil formandos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão em compasso de espera por causa da greve dos professores da instituição. Enquanto isso, vestibulandos vivem a incerteza quanto a realização do concurso na data prevista, de 16 a 18 de dezembro, e formandos estão aflitos porque não sabem quando conseguirão concluir os cursos. Há turmas que já estão adiando os bailes de formatura e colação de grau em função da greve.
É o caso dos formandos de Engenharia Civil. As festas de formatura estavam agendadas para 12 e 18 de março no Teatro Guaíra e Paraná Clube, respectivamente. ''Tivemos que cancelar e pedir adiamento para data ainda não definida, que só serão remarcardas quando os professores retomarem as aulas'', explicou o integrante da comissão de formatura, João Iansen. Ele contou que a turma já pagou R$ 20 mil pela locação do Guaíra. ''Agora corremos o risco de não conseguirmos vaga para a realização da colação de grau'', disse.
Já os estudantes de Medicina vão realizar as formaturas nas datas previstas. ''Os alunos que cursam do 8º período em diante estão tendo aulas normalmente. Assim que houver reunião do Conselho Universitário vamos pedir a aprovação das aulas'', explicou o diretor do Centro Acadêmico de Medicina, Alencar Bittencourt. Os estudantes não foram afetados pela greve porque fazem estágio no Hospital de Clínicas, onde os professores continuam trabalhando por se tratar de saúde pública.
O vestibulando Carlos Ortega, de 19 anos, está preocupado e inseguro por causa da greve. ''Acho justo que os professores lutem pelos seu ideais, mas também têm que pensar nos vestibulandos que estão tensos por causa deste clima de insegurança'', disse. Ele enfatizou que se o semestre for adiado o processo de entrada dos calouros na instituição também ficará comprometido.
O reitor da UFPR, Carlos Antunes do Nascimento, porém, não admite a hipótese do adiamento do vestibular e diz que não há definição de nova data. ''São apenas especulações. Por questões técnicas, o vestibular tem que acontecer na data prevista. Senão vai coincidir com outros vestibulares importantes'', disse. Em caso de adiamento, o prejuízo da instituição pode chegar a quase R$ 2 milhões.
Amanhã, os professores fazem assembléia para avaliar a greve, mas não decidirão pelo retorno ao trabalho, conforme adiantou o presidente da APUFPR (associação dos professores), Francisco Marques. Na opinião dele, a suspensão do concurso será inevitável.
A data-limite estabelecida pela Comissão Central de Concurso Vestibular (CCCV) para a relização do concurso é 5 de dezembro. Ainda esta semana será agendada reunião do Conselho Universitário para discutir o assunto.

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