Alunos vão à pista de boliche pegar física
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terça-feira, 28 de abril de 1998
Célia Baroni 
Paulo WolfgangAprendendo a jogarHora de aprender: alunos calculam aceleração da bola de boliche O que boliche e Isaac Newton têm em comum? Pergunte aos 32 alunos de 8ª série do Colégio Delta. Eles estiveram ontem na pista do Shopping Center Catuaí participando de uma aula de física.
Os alunos aprenderam, na prática, as três leis de Newton. Primeiro, conheceram a lei da inércia. Depois, souberam que força é igual a massa vezes a aceleração. Por fim, entenderam por que toda ação corresponde a uma ação igual e contrária. O método foi criado pelo professor Carlos Henrique Vici há três anos. Ele propõe que o estudante se divirta para vivenciar a física. Isso ajuda o aluno a perceber a física como uma ciência e não como uma disciplina chata e obrigatória.
Vici foi à pista de boliche do Catuaí para mostrar aos estudantes que ali o atrito é quase nulo. A pista é untada com óleo especial para fazer com que a bola deslize mantendo uma velocidade constante até atingir os pinos, explica. A jogada serve de base para o professor explicar a inércia: se for dado um impulso e não houver atrito, a tendência é o objeto manter a velocidade do movimento constante indefinidamente.
Brincadeira? Não é não. Os alunos se divertem, mas levam as explicações muito a sério. Cada um precisa fazer dez jogadas e, a cada vez, o aluno tem de calcular a velocidade, a aceleração, a força e o impulso da bola.
Paulo WolfgangAula diferenteFabiane, Daniele e Anthônia: tarefa concluída e divertimento
A idéia é mostrar a eles como as fórmulas foram elaboradas. Não quero que eles decorem, mas entendam que a física faz parte da vida, está no cotidiano, diz o professor. O resultado - ele garante - tem sido ótimo. Vici afirma que o aproveitamento melhorou em 50% nas turmas que participaram de aulas práticas deste tipo.
Fabiane Leôncio, Daniele Regina Frasson Celino e Anthônia de Campos terminaram rapidamente sua tarefa nas pistas de boliche. Concluído o trabalho, os alunos eram liberados para jogar - sem obrigação de calcular. Elas garantem que é bem mais fácil entender as leis de Newton jogando boliche. A gente entende melhor o que o professor está falando, afirma Fabiane Leôncio. Depois da diversão, os alunos voltam para o colégio para mais uma hora de aula. Eles aplicam o que aprenderam em exercícios que propõem situações diferentes.
Mas os alunos de Vici podem ficar tranquilos. As aventuras no país da física vão continuar. Ele já está planejando uma aula prática no cinema e no kartódromo. Dependendo da parte da física que está sendo estudada, vou buscar parcerias com a iniciativa privada ou o poder público para continua dando este tipo de aula, conta. O apoio do Catuaí Bowling Center foi obtido no ano passado. O subgerente da pista, Evandro Bueno, diz por que achou a proposta de Vici interessante: Os jovens representam a maior parte do nosso público. Além de propiciar aos alunos uma forma mais fácil e agradável de aprender física, é uma oportunidade de divulgar o boliche.


