Os alunos da 4ª série das escolas estaduais Benjamin Constant, localizado na Vila Portuguesa (região central de Londrina) e José Carlos Pinoti, do Conjunto Parigot de Souza (zona norte) viveram um dia especial, anteontem . Depois de passar cerca de 15 dias se correspondendo por cartas, eles, enfim, tiveram uma tarde inteirinha para se conhecer. Como não podia deixar de ser, não faltaram brincadeiras, conversas e, entre uma coisa e outra, o lanchinho da tarde.
A mentora da idéia foi a professora Eliane Tostes, co-regente das 4ª séries do Benjamin Constant. Ela desenvolveu a oficina Produção de Textos inserida no Projeto Vale Saber, do governo do Estado. ‘‘Decidi fazer das cartas o conteúdo do bimestre. A criança, normalmente, não gosta de fazer texto mas com esse projeto, elas estão adorando escrever’’, comenta a professora.
Segundo ela, além de cartas muito criativas, as crianças estão aprendendo a observar erros de português e o que falta nas frases para que elas fiquem mais inteligíveis. ‘‘Elas estão desenvolvendo o senso crítico’’, ressalta. E também o senso de cidadania. A primeira carta escrita pelos alunos foi endereçada à Autarquia do Meio Ambiente (AMA), solicitando que fossem feitas a poda das árvores e o corte da grama ao redor da escola Benjamin Constant. ‘‘A AMA já enviou uma equipe aqui para analisar a situação e estamos esperando o que será feito.’
A escolha pela escola José Carlos Pinoti foi apenas para facilitar o encaminhamento das cartas. Uma das professoras da Benjamin Constant, Eliane Torelli, é orientadora da Pinoti. ‘‘Ela ficou responsável pela entrega das cartas,’ informa Eliane Tostes.
Nesses últimos dias, a chegada da professora Eliane Torelli foi uma das mais esperadas entre os alunos da 4ª série das duas escolas. A ansiedade era grande, todos esperando receber uma carta.
Ludgero Horácio de Oliveira, 10 anos, aluno do Benjamin, adorou a experiência de trocar cartas com o colega Luiz Fernando Vieira, 11 anos, aluno do Pinoti. ‘‘Nós escrevemos sobre a Copa, a morte do Leandro, sobre o que a gente mais gosta e etc’’, fala Ludgero. Despachado, ele conta que fez questão de informar o amigo, pela carta, que tinha o tamanho de criança de seis anos e não de 10. ‘‘Eu achei o Ludgero legal’’, comenta Luiz Fernando.
As novas amigas Rafaelly Batistela, 10 anos e Tatiane Ramos, 11 anos, também adoraram a experiência e prometem que vão continuar se correspondendo. Os assuntos relacionados à morte do cantor Leandro e a Copa do Mundo dominaram os primeiros contatos entre elas. ‘‘Eu nunca gostei muito de Redação. Agora, com as cartas, já gosto um pouquinho mais’’, conta Rafaelly. Tatiane garante que pretende voltar a se encontrar com a amiga que acabara de conhecer.
O projeto desenvolvido pela professora Eliane Tostes não deve parar por aqui. Ela informa que há a intenção de continuar o trabalho no segundo semestre, possivelmente, com o envio de cartas para escolas de outras cidades.

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