Alunos traçam perfil de adolescentes
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de junho de 1997
Célia Baroni Londrina 
Um trabalho dos alunos no 2º ano do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina (UEL) pretende traçar o perfil da saúde do adolescente de Londrina. E o resultado vai ser mostrado no 1º Seminário de Integração das Disciplinas do 2º ano de Enfermagem da UEL, com o tema O adolescente na mira da Enfermagem, que acontece dias 23 e 24, no anfiteatro do Hospital Universitário (HU). Margareth Villari, professora do curso e uma das coordenadoras do seminário, explica que o objetivo é preparar o aluno para a realidade do dia-a-dia do seu trabalho.
Ela explica que, até o ano passado, os alunos viviam o curso, de 4 anos em período integral, em duas fases distintas: o básico (teoria) e o profissionalizante (estágios). Isto mudou. O novo currículo estabelece a necessidade da integração entre as disciplinas teóricas e as profissionalizantes, preenchendo uma lacuna na formação do profissional.
A idade dos alunos que participam do seminário varia entre 19 e 21 anos - período ainda incluído na adolescência pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
A escolha do tema, esclarece o professor do curso Eduardo Carlos Tonani, foi definida também para enfatizar a ausência de atendimento especializado na área de saúde para os jovens na fase da adolescência. É um trabalho ainda restrito a um grupo pequeno de profissionais, mas que precisa envolver toda a área de saúde, diz. O Centro de Referência de Assistência ao Adolescente de Londrina (CRAL) foi recentemente reconhecido pelo Ministério da Saúde como o 9º Centro Docente Assistencial do Brasil a atuar na área.
O tema viabilizou também um trabalho multidisciplinar, integrando os professores do curso. Nós estamos atuando apenas como orientadores, mas cada grupo contou com o apoio de dois professores; um do básico e um do profissionalizante, afirma Tonani. Durante um mês, os 48 alunos do segundo ano do curso levantaram dados e ouviram adolescentes. No seminário, eles estarão mostrando as alterações fisiológicas; necessidades nutricionais (hábitos alimentares), aspectos psicossociais; prevenção de acidentes; sexualidade e gravidez na adolescência.
Só a equipe de alunos que abordou o tema Gravidez na Adolescência e Suas Implicações ouviu mais de 70 adolescentes que estavam grávidas ou já eram mães. Os coordenadores do seminário não esperam novidades. A adolescência, esclarece a professora Thelma Balagutti, é uma fase do desenvolvimento humano que não muda porque faz parte do processo que o leva à maturidade. Mas a vivência dos problemas e dificuldades deste processo vai ajudar os alunos a serem profissionais melhores e a entenderem melhor a si mesmos, afirma.


