É triste observar na porta de uma escola a presença ostensiva da Polícia Militar, necessária para garantir a ordem e assegurar o direito de quem deseja estudar. Esta era a visão da entrada da Escola Estadual Lauro Gomes da Veiga Pessoa (Zona Norte de Londrina) na última segunda-feira à noite, quando as atividades acadêmicas foram retomadas depois de o prédio ter sido depredado quase uma semana atrás. Quem frequenta o colégio lamentou o ocorrido e espera agora que a fama do colégio não fique ainda pior.
Entre alunos, professores e vizinhos, a noite de 2 de abril não será esquecida tão cedo. Quando as luzes se apagaram e o breu tomou conta das instalações, uma onda de vandalismo varreu o prédio transformando o local em um cenário de guerra. Vidros quebrados, carteiras e cadeiras derrubadas, presas às janelas, lâmpadas destruídas. Nada ficou a salvo da baderna liderada por um grupo de alunos que se espalhou até por ruas próximas e chegou a um outro colégio da região. E o pior é que situação idêntica já havia acontecido uma semana antes.
As aulas do período noturno - frequentadas por cerca de 160 alunos do total de 800 matriculados no colégio - tiveram que ser suspensas e só foram retomadas na segunda-feira. Esperançosa, a diretora, Luci Lene Breve, comentou que ''tudo indicava que a situação voltaria à normalidade'', mesmo que as marcas da agressão ao patrimônio ainda estivessem evidentes. Ela afirmou que a Patrulha Escolar da Polícia Militar prometeu dar uma atenção especial ao colégio nos próximos dias, incluindo ronda nos arredores. Alguns dos alunos envolvidos com o vandalismo, segundo a diretora, já haviam sido identificados e poderão ser responsabilizados. Os pais deles também serão chamados e cobrados.
Representantes do Núcleo Regional de Educação (NRE) estiveram na escola para discutir com os professores formas de reintegrar à escola os adolescentes envolvidos. ''Eles vão continuar frequentando a escola porque têm direito ao acesso à educação e nós vamos ter que definir qual a melhor forma de reintegrá-los em sala de aula. Eles já estão há três, quatro anos na mesma série e não têm mais motivação'', comentou Luci Lene.
Entre os alunos, a sensação continua sendo de insegurança. Estudante da 7ª série, Rodrigo Luiz dos Santos, 17 anos, elogiou a qualidade dos serviços prestados mas alertou que todos precisam de mais tranquilidade. ''Aqui é um bom colégio, tem quase tudo que a gente necessita mas acho que precisaria melhorar a segurança para os alunos e professores'', cobrou.
Matriculada na escola desde a 5 série, Maura de Lourdes Sobrinho, 23, apontou que, embora ofereça boas condições de ensino, a escola tem fama de problemática e os atos de vandalismo podem contribuir de forma negativa. ''Esse episódio já prejudicou a escola, que vai ficar ainda mais mal falada e a gente fica com aquela sensação de que tudo pode acontecer de novo a qualquer momento'', lamentou.
A estudante disse ainda que os arredores do prédio são perigosos, principalmente no horário da saída. Coisa que a vizinhança também conhece bem. Uma moradora que preferiu não se identificar disse que alunos e outros jovens permanecem na rua bebendo, usando drogas e ouvindo música alta até de madrugada. E quem se aventura a reclamar com eles ainda é ameaçado. Para ela, ter uma escola como vizinha não é nada gratificamente. ''É horrível. Muitas vezes tenho que pedir licença para eles para entrar na minha própria casa'', finalizou.

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