Alunos temem fim de mestrado em Cornélio
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segunda-feira, 28 de junho de 2004
Guilherme Gouveia<br>Reportagem Local 
Cornélio Procópio Alunos do mestrado em Educação e Administração do Instituto de Extensão e Pesquisa (IEP) de Cornélio Procópio estão ameaçados de perder dois anos e meio de estudos e investimentos. A diretoria da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Cornélio Procópio (Fefi), responsável legal pelo funcionamento do curso, estuda a possibilidade de suspender as inscrições para a quarta turma, inviabilizando o reconhecimento do mestrado pela Capes, órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC) que avalia os cursos de pós-graduação do País.
O problema atinge diretamente a vida de aproximadamente 250 alunos das seis primeiras turmas (três de administração e três de educação). A professora Mária de Fátima Pedrosa Mandelli, 41 anos, de Cambé (13 km a oeste de Londrina), mestranda do 2º ano em educação, teme ter jogado fora dois anos de sua vida.
''Os alunos da 1 e 2 turma estão na fase de defesa de dissertação, aguardando apenas o reconhecimento do curso para pegar o diploma. Tem gente que vem de muito longe para estudar, deixa família e agora está nesta situação, com medo de ver jogado no lixo tanta dedicação'', lamentou a professora, que leciona na rede estadual e municipal de Cambé.
A mensalidade básica de cada curso, gerenciado pelo IEP, gira em torno de R$ 380, mas o dinheiro, segundo a professora, é o que menos importa nas atuais circunstâncias. ''É nosso futuro que está em jogo. Não queremos o dinheiro de volta, queremos nosso título que batalhamos para conseguir. Para ser professor universitário hoje em dia você precisa de um mestrado'', argumentou.
Hoje à noite, às 21 horas, no campus da FEFI, a congregação da instituição decide se o curso será suspenso ou não. Um grupo de alunos, originário de várias cidades do Estado, fará um protesto simultâneo à reunião.
Segundo o diretor da FEFI, professor Onofre Ribeiro de Almeida, como o curso não tem recomendação da Capes, a faculdade poderia ser responsabilizada em caso de eventuais irregularidades. ''O instituto assume apenas a contratação e o pagamento de professores, enquanto a faculdade se responsabiliza pelo curso'', argumentou.
Almeida disse ainda que a instituição se pronunciará oficialmente sobre o caso somente após a assembléia de hoje à noite. Ele adiantou, no entanto, que a decisão da congregação, representada por professores, estudantes e alunos, é irreversível. ''Ela é o orgão máximo da instituição, e o que for decidido será respeitado'', afirmou.
Segundo o diretor, a comissão organizadora do mestrado estaria com dificuldades em cumprir algumas regras exigidas pela Capes. ''É este tipo de problema que a congregação estará analisando amanhã (hoje)'', disse. No entanto, ele não quis especificar quais seriam as dificuldades encontradas.


