Rolândia Alunos da 4 série da Escola Municipal Parigot de Souza, de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), experimentaram ontem um Dia da Árvore diferente. Em vez do tradicional plantio na beira do rio, aprenderam de forma lúdica como a natureza faz para garantir a reprodução de suas espécies. Inspirado no Projeto Tucano do Bico Verde, responsável pela multiplicação do palmito juçara na região, o ambientalista Daniel Steidle decidiu criar uma segunda versão do programa, desta vez com sementes de canafístula, uma espécie nativa apropriada no processo de recomposição de matas ciliares.
Assim como as aves, uma grande pipa cumpriu a tarefa de disseminar as sementes ao longo do Córrego do Cânion, um dos afluentes do Ribeirão dos Bandeirantes. ''De forma simbólica, tentamos mostrar como acontece a interação entre os animais e as árvores. A pipa trabalhou como um tucano ou um morcego, por exemplo, que fazem a proliferação das sementes'', ilustrou Steidle. Somente nesta semana, duas escolas participaram da iniciativa. Hoje à tarde, mais um colégio está confirmado.
As sementes de canafístula retiradas de uma árvore-mãe, sobrevivente de uma reserva localizada dentro da Fazenda Bimini, em Rolândia são colocadas pelo alunos dentro de bexigas. Na calda do brinquedo, um mecanismo libera os balões assim que a pipa atinge uma certa altitude. ''Aqui eles aprendem brincando. Aquela história de plantar um árvore na beira no rio já saturou. Nossa intenção é aprofundar o tema e proporcionar à criança um conhecimento contínuo. Não queremos que elas participem disso tudo só no Dia da Árvore e pronto'', argumentou o ambientalista.
No próximo ano, entre março e abril, o Projeto Tucano do Bico Verde deve voltar com força total. Em parceria com o Laboratório de Biodiversidade e Recomposição de Ecossistemas, do Departamento de Biologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), cerca de uma tonelada de semente de palmito deve ser plantada na região. ''O laboratório fará um levantamento dessas áreas e vai acompanhar o desenvolvimento das plantas'', adiantou Steidle. O projeto já usou pipas, como a de ontem, e até mesmo ultraleves para distribuir as sementes. ''Chegamos a plantar quase duas toneladas nos últimos anos. A iniciativa foi bem sucedida e vamos repeti-la no ano que vem'', garantiu.

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