Alunos têm aula dentro do banheiro da escola
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de dezembro de 2000
Sid Sauer De Campo Mourão 
Os alunos que frequentam as aulas de reforço na Escola Municipal Castelo Branco, em Engenheiro Beltrão (36 km ao norte de Campo Mourão), têm um motivo a mais para comemorar o fim do ano letivo: eles passaram todo o ano estudando numa sala de aula improvisada dentro de um dos banheiros do estabelecimento. A diretora da escola, Rosângela Merenda de Andrade, já prevê que a situação deverá se repetir no ano que vem.
Não temos mais espaço e, para o próximo ano, o número de alunos deverá ir de 270 para 330, explicou a diretora. A Escola Castelo Branco tem oito salas de aula e fica na periferida da cidade. Rosângela já chegou a fazer um orçamento para ver se seria possível a construção de duas novas salas através da Associação de Pais e Mestres (APM), mas desistiu da idéia. A maioria dos pais são cortadores de cana-de-açúcar e não têm como ajudar, frisou.
Pelo orçamento da diretora, as duas novas salas custariam pelo menos R$ 4,8 mil. Até o ano passado, as aulas de reforço aconteciam no salão comunitário, separado da escola. Mas era perigoso ficar tirando as crianças da escola o tempo todo, disse Rosângela. Ela conta que pensou que sua idéia iria assustar a Secretaria Municipal de Educação, mas o uso do banheiro como sala de aula chegou a receber elogios da secretária Rosália Cândido Machado pela criatividade.
A sala de aula no banheiro foi utilizada durante o ano por 12 estudantes de 1ª a 4ª série e por dois professores, em dois períodos - manhã e tarde. Não fizemos nada só para aparecer, conta Rosângela. Nossa escola têm alunos extremamente carentes, que precisam das aulas de reforço e que não têm a mínima condição de pagar por uma aula particular.
As carteiras foram colocadas ao lado de uma parede que não chega até o teto, que serve de divisão para os sanitários. Normalmente, o banheiro que virou sala de aula era usado pelas professoras e pelas meninas da escola.
A prefeitura diz que não tem dinheiro para fazer a ampliação da Escola Municipal Castelo Branco. Pior: desde agosto, o município cortou um repasse mensal de R$ 300,00. Desde então, o estabelecimento sobrevive com campanhas de arrecadação que incluem a realização de bingos e a venda de pizzas. Isso, porém não evitou o corte do telefone por falta de pagamento.


