Como a escola é um centro do saber, nada melhor do que começar por ela um projeto-piloto que crie meios para enfrentar a violência. A idéia dá aos estudantes a oportunidade de encarnar os papéis de mestres e aprendizes na iniciativa elaborada por uma Organização Não-Governamental (ONG) de Curitiba. A Associação Projeto Não Violência recrutou 89 alunos, dos 7 aos 20 anos, em duas instituições de ensino público para atuar como voluntários da paz.
A empreitada apareceu no início de 1999 na Escola Estadual Ermelino de Leão, no bairro Boa Vista, onde estudam cerca de 1,3 mil alunos. Vinte e nove estudantes têm a missão de tocar o projeto. Junto com os professores, eles organizam palestras, eventos culturais e esportivos com o intuito de melhorar o ambiente escolar e dissipar rivalidades. Este ano, o Colégio Estadual Elias Abrahão, no bairro Cajuru, com 1,5 mil alunos, também aderiu com 60 interessados.
Os debates e a programação não se limitam aos muros das escolas. A coordenadora operacional da ONG, Márcia Macionk, conta que os voluntários vão ao encontro dos comerciantes estabelecidos na vizinhança para conscientizá-los a evitar a venda de bebidas alcólicas e cigarros aos colegas. Os donos dos bares ouvem histórias de como um aluno, depois de várias rodadas de cerveja, atrapalhou toda a aula. ‘‘Você une a discussão, a arte e o esporte como forma de levar o jovem a concentrar suas energias para atividades mais produtivas. Eles podem ser protagonistas de uma sociedade menos violenta’’, comenta Márcia.
A ONG curitibana quer levar o projeto para capitais de outros Estados. ‘‘A saída para os problemas do Brasil está nas comunidades. Uma comunidade organizada pode mudar a vida do bairro e da cidade’’, diz Márcia. Segundo ela, o projeto em Curitiba começa a render os primeiros resultados. Os professores perceberam redução nos atos de indisciplina com uma consequente melhora no aproveitamento em sala de aula e no relacionamento familiar.
Uma das estratégias para garantir o engajamento dos alunos no projeto é a liberdade de criação nos concursos musicais e torneios esportivos. ‘‘É preciso dar um espaço para que eles possam se expressar’’, observa Márcia. Nas palestras, os alunos são colocados frente à frente para debater as causas da violência tanto na rua como na escola. ‘‘Isso é muito poderoso. São duas pessoas da mesma idade que têm mais chances para influenciar o seu parceiro durante a conversa.’’

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