O ''troca-troca'' de professores em escolas públicas de Londrina, promovido pelo governo do Estado desde o início do ano letivo, está comprometendo a qualidade do ensino e o calendário escolar. A afirmação é de alunos e diretores da rede estadual, que apontam casos em que uma mesma disciplina já foi assumida por até quatro professores diferentes ao longo do primeiro semestre.
O problema se soma ao remanejamento de pedagogos, também na rede estadual, que foi tema de uma reunião realizada ontem à tarde. A intenção do governo é substituir todos os supervisores, coordenadores e também professores da rede que não sejam concursados. ''O Estado não está errado em seu intuito, mas não deveria fazer as coisas dessa forma. Os diretores de escolas não sabem direito o que está acontecendo, não são mais convidados a participar das discussões'', apontou o presidente da Associação dos Gestores das Escolas Públicas de Londrina (Agep), Élcio Lentini.
No Colégio Estadual Professora Ubedulha de Oliveira (Zona Norte), a substituição constante de docentes levou alunos do Ensino Médio a organizar um protesto que seria realizado ontem à noite. De acordo com a estudante do 1º ano Cleunice Ribeiro dos Santos, os alunos foram seriamente afetados pela perda recente de dois professores. ''Anteontem foram dispensadas as professoras de História Geral e do Paraná. Tínhamos até prova marcada e agora corremos o risco de ficar sem a nota do bimestre'', denunciou.
A aluna contou que a disciplina de Língua Portuguesa já passou por dois professores. Outros quatro já assumiram as aulas de Inglês. ''Tivemos uma professora que deu uma única aula'', destacou. O diretor do colégio, Adão Nunes, disse que o clima é de revolta entre os alunos, que se sentem atingidos em seu direito a ter ensino de qualidade. ''Como um aluno nosso comentou, quem tem maior prejuízo é o estudante, que perde conteúdo. O ideal seria que as substituições fossem feitas em dezembro''.
O presidente da Agep afirmou que a ''rotatividade'' de professores vem acontecendo em várias escolas. ''No Colégio Adélia Dionísio Barbosa (Zona Norte), por exemplo, encontrei uma turma que sofreu cinco trocas de professor. O pessoal fica completamente perdido com isso'', comentou. Segundo ele, professores contratados por regime de Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), alguns com mais de 10 anos de experiência, estão sendo dispensados para dar lugar a docentes aprovados no concurso público realizado no ano passado.
A reportagem da Folha não conseguiu entrar em contato com o chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, Rony dos Santos Alves, para comentar a situação.

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