Enxadas, cartazes, mudas de árvores e diversas cruzes. Essa era a imagem em torno do Lago Cabrinha (Zona Norte) na tarde de ontem. A movimentação foi um protesto organizado por cerca de 50 alunos, coordenadores e professores do Centro Social Irmãos Marista (Cesomar), contra a empresa Visatec, contratada pela prefeitura de Londrina, através da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para executar o serviço de capina e roçagem em toda a cidade.
Segundo Eduardo Panachão, biólogo e professor do Cesomar, foram destruídas cerca de 60 mudas de árvores nativas plantadas no final do ano passado, por 80 alunos que fazem atividades extra-classe no contraturno.
''As mudas foram produzidas durante um ano, desde a semente até germinarem, crescerem e estarem aptas ao plantio. Vejo esta atitude da Visatec como uma atitude antipedagógica'', disse Eduardo.
De acordo com Panachão, eles só tiveram conhecimento do dano quando alunos avistaram há mais de um mês, tratores-roçadeiras passando por cima das estacas de sinalização das mudas - colocadas para destacar a posição das árvores no terreno, justamente para evitar a eliminação.
As mudas eram de quatro espécies nativas da Mata Atlântica: aroeira pimenteira, timbó, coração de nego e amendoim bravo. ''São espécies de rápido crescimento e utilizadas para propiciar sombra e reter maior umidade no solo, visando o desenvolvimento posterior de árvores mais frágeis'', explica o biólogo.
Para o aluno Valério Augusto de Brito, da 8º série, que ajudou no plantio das mudas, o que aconteceu foi uma tristeza. ''Acho uma falta de respeito, pois viemos com a maior boa vontade, nos esforçamos para plantá-las e eles destróem tudo'', lamentou.
De acordo com Laila Menechio, membro da Ong MAE, a Promotoria do Meio Ambiente, Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) já possuem conhecimento sobre as incidências. Ela foi informada que a Visatec entregaria um plano de manejo de capina e roçagem. ''Na verdade, a gente nem precisa cobrar nada, pois está na lei. Isto que está acontecendo é um crime ambiental'', ressalta.
O diretor de Operações da CMTU, Fábio Reali, informou que o plano já foi apresentado ao Ministério Público, há um mês, mas que é preciso averiguar se este projeto tem a autorização de plantio do órgão ambiental. ''É louvável a iniciativa dos alunos, mas precisamos confirmar uma série de informações. Entre elas, se isto também não foi um incidente de trabalho. Existe um projeto padrão de revitalização do Cabrinha e dentro deste projeto, existe uma rotina de manutenção. Qualquer plantio fora deste planejamento precisa ser informado'', disse Reali, que irá entrar em contato com a Sema para obter informações sobre a real situação e os procedimentos a serem tomados.

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