Alunos prejudicados por falta de transporte
Londrina - A agricultora Maria Aparecida da Costa Faria, de 46 anos, mora na parte baixa do assentamento Eli Vive, um local de difícil acesso. Quando a reportagem visitou o lote dela, a lavradora estava com uma matraca, instrumento utilizado para semear. "Estamos plantando milho doce para vender verde", relata. Ela diz que as crianças da região precisam andar de três a quatro quilômetros por estradas vicinais até chegar à estrada principal, uma vez que o transporte escolar não circula pelas vias menores. "Muitas crianças estão sem estudar porque o ônibus passa muito distante de suas casas", aponta.
No Colégio Estadual Maria Aparecida Rosignol Franciosi, que fica no assentamento Eli Vive, dos 200 alunos que estudam de manhã e à tarde, apenas 10% tinham ido à aula no dia em que a reportagem foi visitar a instituição. O problema ocorreu porque o micro-ônibus atolou e a viagem foi cancelada.
O coordenador pedagógico da escola, Marciano Meireles, aponta que no ano passado a escola não conseguiu cumprir os 200 dias de aula obrigatórios. "Se somarmos todos os dias que não tivemos aulas por causa da estrada ruim ficamos mais de um mês parados", calcula. "O micro-ônibus não tem condições de puxar tal quantidade de estudantes no mesmo horário. Como são os mesmos veículos que transportam a turma da manhã e a da tarde, a estrada é ruim e os veículos são poucos e pequenos. O pessoal que estuda à tarde perde uma hora de aula por dia. O intervalo entre a entrega dos alunos da turma da manhã e a coleta dos alunos da turma da tarde é tão curto que a turma da tarde só consegue chegar a escola às 14 horas", acrescenta.
A reportagem procurou o Núcleo Regional de Educação de Londrina e Secretaria Municipal de Educação para comentar o assunto, mas nenhum dos órgãos se responsabilizou pela situação dos alunos do Eli Vive.(V.O.)





