Lixo a céu aberto, entulho jogado nos fundos de vale, esgotos entupidos, a presença perigosa de caramujos africanos, transmissores de doenças. Este é o cenário de degradação ambiental dos córregos Marabá e Londrina, na Zona Leste da cidade. Preocupados com esta situação, 60 adolescentes que participam de cursos profissionalizantes no Núcleo Espírita Irmâ Scheilla (Neis), localizado no Jardim Marabá, deram ontem o pontapé para a elaboração de um plano de recuperação ambiental da microbacia do Córrego Marabá.
''Queremos torná-los agentes de preservação ambiental do bairro para que possam realizar um trabalho permanente de conscientização com os moradores'', explicou o coordenador do Viveiro Municipal e da oficina ambiental, Paulo Roberto Guilherme.
Na oficina ambiental, organizada pela Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), os alunos assistiram a palestras sobre a importância da recuperação dos fundos de vale; o papel de cada um na educação ambiental e doenças de veiculação hídrica e Gripe H1N1. ''É a primeira vez que será elaborado um plano abrangente e com cronograma a longo prazo para a região. Os alunos poderiam se envolver no plantio de mudas nos córregos que margeiam a região. É um trabalho de persistência, porque não se muda a atitude com o meio ambiente de uma hora para outra'', salientou Guilherme.
Segundo a assistente social do Neis, Sílvia Helena da Silva, a educação ambiental é preocupação constante dos alunos, principalmente porque o córrego passa em frente a entidade. Contudo, pondera, muitos moradores ainda não se deram conta dos impactos que as suas atitudes provocam ao meio ambiente e à saúde.
Na avaliação do aluno Wesley Alves Carneiro, a situação do Córrego Marabá é ''crítica''. ''Tem esgosto entupido, despejo incorreto do lixo doméstico e a presença de caramujos e mosquitos transmissores da dengue'', afirmou. ''Quando a área está muito degradada, os moradores às vezes não se interessam em recuperá-la. A preocupação é que muitas crianças brincam no córrego. Creio que deveriam ser realizadas reuniões com os moradores para conscientizá-los sobre a importância da preservação ambiental'', sugeriu Letícia Ribeiro Moreira.
Para a estudante Viviane Bernardes, apenas a união do poder público com a população pode resultar em mudanças na relação com o meio ambiente. ''As pessoas têm que querer a mudança. No fundo de vale revitalizado poderia ser plantada uma horta comunitária'', acrescentou.

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