Alunos pedem melhorias na COU
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quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - Cansados de esperar por uma solução para a Clínica Odontológica Universitária (COU), cerca de 150 pessoas entre alunos, professores e servidores do curso de Odontologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) saíram em passeata pelo Calçadão (centro) ontem pela manhã. Foi uma forma de alertar também a comunidade para a situação. A manifestação se estendeu até o campus universitário, com atos no Restaurante Universitário e na reitoria.
No dia 5 de julho a FOLHA já havia noticiado que, devido à falta de verbas, a construção do prédio da COU e da Clínica de Especialidades Infantis (Bebê Clínica) no campus está parada desde o início do ano. Prevista para ser entregue até 2015, a obra de 11,2 mil metros quadrados está sem prazo para conclusão. O atual prédio da Clínica, localizado na Rua Pernambuco (centro), foi construído em 1950 e apresenta diversos problemas.
"Nossa preocupação são as condições precárias do prédio, estamos atendendo como dá. Eles fazem reformas mas não dá para arrumar tudo. Sempre estamos em estado de alerta e acabamos não conseguindo nos focar totalmente nos atendimentos. A clínica nova é para ontem", reclamou Camila Terra Maruyama, aluna do 5º ano.
Segundo ela, além dos problemas estruturais, também faltam aparelhos de Raio X, fotopolimerizador e ultrassom, entre outros. "Temos que fazer fila para usar ou reservar com antecedência e muitas vezes o paciente precisa ficar esperando. Queremos com essa manifestação chamar a atenção do governo estadual."
Diego Antunes, aluno do 1º ano, tem esperança de que consiga atender nas novas instalações antes de se formar. "Ouvimos os colegas reclamarem e realmente a situação não é nada boa. O prédio é antigo, tem goteiras e às vezes precisamos transferir os pacientes de cadeira por conta disso. Também há o barulho dos colégios que ficam próximos e muitas vezes atrapalham nossas aulas", afirmou.
Ano eleitoral
Entre os servidores o desconforto não é menor. Genival José Silvério trabalha há 32 anos na UEL e há seis anos está na COU. "É difícil porque vivemos fazendo remendos na clínica. Hoje (ontem) houve um vazamento de água e tivemos que trocar os pacientes de sala. Há segurança no atendimento, mas com a clínica nova as condições serão muito melhores. Além disso temos também o Pronto Socorro 24 horas, que não pode parar", argumenta.
O diretor do COU, José Roberto Pinto, explica que a preocupação da comunidade universitária é devido ao Projeto de Lei Orçamentária Anual 2014 ser concluído em 31 de agosto. "O próximo ano será eleitoral, não se mexe nisso e para esperarmos até 2015 é muito longe e arriscado. Já falamos com a Secretaria Estadual de Saúde, com a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti) e a reitora também solicitou verbas à Casa Civil", contou.
Segundo ele, para concluir a obra que hoje tem apenas a estrutura e o reboco externo seria necessário entre R$ 18 milhões e R$ 20 milhões. A cobertura já está sendo licitada e a expectativa é que seja instalada antes que a construção se deteriore. O diretor garante que o prédio atual ainda oferece segurança, mas que o atendimento pode vir a ser interrompido a qualquer momento. "Tenho registrado em cartório todos os problemas do local. Se houver qualquer risco para a segurança, iremos paralisar as atividades", avisou.
Anualmente, a COU e Bebê Clínica realizam cerca de 120 mil atendimentos, sendo mais de 270 mil procedimentos, contemplando pacientes de 57 cidades, incluindo o sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Muitos destes pacientes são atendidos no Pronto-Socorro 24 horas, que é o único no país vinculado a uma clínica odontológica universitária a funcionar ininterruptamente.


