Um pedido de interdição do aterro sanitário de Londrina (zona leste) foi feito por um grupo de alunos do curso de Ciências Aeronáuticas da Universidade do Norte do Paraná (Unopar) junto à Promotoria de Defesa do Meio Ambiente. A alegação é que as aves presentes no aterro, urubus e garças, colocam as aeronaves em risco. Com o aeroporto a menos de um quilômetro do aterro, os procedimentos de subida são feitos em cima do aterro, em uma altitude baixa, o que evidencia o risco de ingestão de aves pelas turbinas – impacto que pode trazer consequências graves.
‘‘São vidas humanas que estão em jogo e diariamente acontecem indícios de acidentes graves’’, destacou Raimundo Israel Fonseca, um dos alunos da Unopar. Ele informou que a mesma denúncia será enviada hoje para a Câmara de Londrina. O grupo também pretende acionar a Organização Internacional de Aviação Civil, com sede em Montreal (Canadá), para pedir apoio à manifestação.
A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Luciana Lepri Moreira, considerou o pedido de interdição ‘‘simplista’’. ‘‘Não posso pedir a interdição do aterro, até que o novo esteja em funcionamento dentro das condições adequadas. Não posso solucionar um problema, criando outro’’, afirmou. Ela lembrou que há dois anos ingressou com três ações contra o município, pedindo providências no lixão. ‘‘Mas a prefeitura recorreu’’, afirmou. O lixão, na Estrada do Limoeiro, existe há cerca de 20 anos.
O presidente da Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, concordou que a localização do aterro realmente não é adequada, e a necessiadade de um novo aterro é urgente. Mas ele garantiu que diversas melhorias feitas no aterro não permitem mais a proliferação de aves. ‘‘Não há fonte de alimento para elas. O lixo depositado no local não passa mais de 24 horas sem ser aterrado e a antiga lagoa pluvial, que era fonte de peixes para as aves, teve a sua água totalmente canalizada’’, relatou.
Sella garantiu que não há nenhum urubu no local, e as garças, além de serem em pequena quantidade, apenas fazem vôos rasantes. ‘‘Acho que essa denúncia foi mais um ato promocional.’’
Ele também informou que até agora o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) não liberou o licenciamento prévio para que a companhia inicie o estudo de impacto ambiental em três terrenos da Região Sul, cotados para ser o local do novo aterro sanitário. Um estudo prévio, iniciado em junho do ano passado pela CMTU foi apresentado há 30 dias ao IAP. ‘‘É urgente essa liberação. O aterro recebe dez mil toneladas de lixo por mês e a sua capacidade de uso é de mais um ano’’, comentou.
O novo aterro ainda não tem orçamento definido, mas, segundo Sella, teria custo estimado de US$ 5 milhões, considerando a impermeabilização do solo, aterro para lixo hospitalar e usina de reciclagem. ‘‘Estamos trabalhando com a possibilidade de terceirizar esse novo aterro’’, disse Sella.

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