Alunos pedem interdição de aterro sanitário
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terça-feira, 11 de junho de 2002
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Um pedido de interdição do aterro sanitário de Londrina (zona leste) foi feito por um grupo de alunos do curso de Ciências Aeronáuticas da Universidade do Norte do Paraná (Unopar) junto à Promotoria de Defesa do Meio Ambiente. A alegação é que as aves presentes no aterro, urubus e garças, colocam as aeronaves em risco. Com o aeroporto a menos de um quilômetro do aterro, os procedimentos de subida são feitos em cima do aterro, em uma altitude baixa, o que evidencia o risco de ingestão de aves pelas turbinas impacto que pode trazer consequências graves.
São vidas humanas que estão em jogo e diariamente acontecem indícios de acidentes graves, destacou Raimundo Israel Fonseca, um dos alunos da Unopar. Ele informou que a mesma denúncia será enviada hoje para a Câmara de Londrina. O grupo também pretende acionar a Organização Internacional de Aviação Civil, com sede em Montreal (Canadá), para pedir apoio à manifestação.
A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Luciana Lepri Moreira, considerou o pedido de interdição simplista. Não posso pedir a interdição do aterro, até que o novo esteja em funcionamento dentro das condições adequadas. Não posso solucionar um problema, criando outro, afirmou. Ela lembrou que há dois anos ingressou com três ações contra o município, pedindo providências no lixão. Mas a prefeitura recorreu, afirmou. O lixão, na Estrada do Limoeiro, existe há cerca de 20 anos.
O presidente da Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, concordou que a localização do aterro realmente não é adequada, e a necessiadade de um novo aterro é urgente. Mas ele garantiu que diversas melhorias feitas no aterro não permitem mais a proliferação de aves. Não há fonte de alimento para elas. O lixo depositado no local não passa mais de 24 horas sem ser aterrado e a antiga lagoa pluvial, que era fonte de peixes para as aves, teve a sua água totalmente canalizada, relatou.
Sella garantiu que não há nenhum urubu no local, e as garças, além de serem em pequena quantidade, apenas fazem vôos rasantes. Acho que essa denúncia foi mais um ato promocional.
Ele também informou que até agora o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) não liberou o licenciamento prévio para que a companhia inicie o estudo de impacto ambiental em três terrenos da Região Sul, cotados para ser o local do novo aterro sanitário. Um estudo prévio, iniciado em junho do ano passado pela CMTU foi apresentado há 30 dias ao IAP. É urgente essa liberação. O aterro recebe dez mil toneladas de lixo por mês e a sua capacidade de uso é de mais um ano, comentou.
O novo aterro ainda não tem orçamento definido, mas, segundo Sella, teria custo estimado de US$ 5 milhões, considerando a impermeabilização do solo, aterro para lixo hospitalar e usina de reciclagem. Estamos trabalhando com a possibilidade de terceirizar esse novo aterro, disse Sella.


