Alunos navegam pelo Igapó em garrafas pet
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quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Vanessa Navarro<BR>Reportagem Local 
Alunos da Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel) fizeram ontem o primeiro teste com um caiaque construído inteiramente com garrafas pet. Um por um, eles navegaram pelo Lago Igapó na ''embarcação reciclável'', divididos entre o medo da novidade e o orgulho de terem sido os principais autores da engenhoca.
''Fiquei um pouco insegura, porque nunca tinha andado num caiaque antes. Mas depois foi uma sensação muito boa, bem divertido mesmo'', narrou Dayane Mayara do Nascimento, 16 anos, primeira voluntária a se aventurar no meio de transporte ecológico. Ao ver que ela retornou à margem sã, salva e com um largo sorriso no rosto, o resto do grupo passou a disputar a vez de dar as remadas.
Cerca de 20 adolescentes com idade entre 14 e 18 anos participaram do projeto, realizado com apoio da ONG Patrulha das Águas. Embora a idéia do barco não fosse inédita, os educadores fizeram questão de deixar os alunos descobrirem sozinhos como poderiam executar o plano. A turma não decepcionou. ''Eles estavam com dificuldade para manter as garrafas cheias de ar. Um dia, jogando futebol, perceberam que a bola não vazava e que ali podia estar a solução para o barco'', lembrou o supervisor educacional Cláudio Mello.
Com a ajuda de uma bomba de bicicleta e após pesquisas na internet, eles construíram o caiaque com mais de 70 garrafas pet, duas colas especiais, isopor picado e gasolina. ''Quando começamos a gente mal acreditava que fosse dar certo. Agora vimos que dá para fazer até barcos maiores e coletes salva-vidas'', disse Lucas dos Santos Fontes, 15 anos. ''Agora as pessoas podem ver que, ao invés de jogar as garrafas por aí, podem juntá-las e fazer um barco como esse para se divertir no fim de semana'', completou Dayane.
O projeto será apresentado na feira de ciências da Universidade Norte do Paraná (Unopar) deste ano. Na edição passada, os alunos da Epesmel ficaram com o segundo lugar com o projeto de um aquecedor solar feito com garrafas pet e, em 2005, foram vencedores com um jogo de inteligência. ''Mostramos que podemos fazer muito, com pouco. Até porque a instituição não tem recursos para investir num projeto caro'', ressaltou Mello.


