Alunos levam informações a população carente de bairros
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de novembro de 1997
Cláudia Lopes Londrina 
Paulo WolfgangAprendizadoUniversitárias distribuem panfletos a moradores de favela: informações sobre saúde e higieneAlunos da Universidade do Norte do Paraná (Unopar) estão saindo da sala de aula para conhecer de perto a realidade da população carente de Londrina. Em julho, começou a funcionar o Prouno - Projeto Unopar Ação-Reflexão-Ação, que é baseado no projeto Peepin da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Através dele, mais de 40 alunos de Odontologia e Fisioterapia da Unopar foram até o assentamento de terra do Jardim dos Campos, no conjunto Aquiles Sthenghel, na favela Pacaembu 2, no conjunto Milton Gavetti (zona norte) e no jardim Novo Bandeirantes (zona oeste), para levantar os problemas existentes na área da saúde nestes locais e propor soluções.
O principal objetivo do Prouno é fazer com que o aluno observe a realidade e perceba quais os problemas de saúde da comunidade. Com este trabalho, o caráter humanístico do aluno está sendo estimulado, diz a coordenadora do projeto, Fátima Regina Gouveia Dias. A recomendação do Ministério da Educação é de que, além da formação técnica científica, o profissional tenha formação humana arraigada.
Os alunos saem elitizados da Universidade, se esquecendo que a maioria da população que eles irão tratar é carente, diz a coordenadora. No estágio, muitos reclamam que o paciente não escova os dentes sem saber que, às vezes, nem água ele tem em casa, conta Edna Gon, professora de Fonoaudiologia e responsável por um dos grupos que optou por levar orientações sobre higiene aos moradores da favela Pacaembú 2.
Além da favela, os alunos percorrem escolas que estão na área de abrangência da Unidade Básica de Saúde do Conjunto Milton Gavetti, dando orientação sobre higienes bucal, corporal, alimentar e geral, através de teatro de fantoches e distribuição de panfletos informativos. O grupo fala de verminoses, da importância de se lavar bem as frutas e verduras, de andar calçado, de cobrir os alimentos para evitar contaminações, entre outras recomendações. É um trabalho preventivo, explica Edna.
Outro grupo do Prouno elaborou um calendário de 1998 com informações sobre como evitar acidentes domésticos com crianças. Distribuído no assentamento do jardim dos Campos, o calendário relaciona alguns cuidados que podem ser tomados pelas mães: evitar que a criança tenha contato com o fogão, manter material de limpeza e medicamentos longe do alcance das crianças, entre outros.
A intenção é tentar evitar os acidentes domésticos, comuns em lares onde as mães trabalham fora e têm que deixar os filhos sozinhos, diz Taniele Zago, estudante do primeiro ano de Odontologia. Ela e os amigos de seu grupo foram até o assentamento na última terça-feira para distribuir os panfletos e conversar com as mães.
A dona-de-casa Rosimeire dos Santos, que tem dois filhos, adorou a idéia. As meninas do projeto são ótimas. Acho este trabalho importante porque aqui no assentamento tem vários casos de acidentes domésticos. Outro dia uma casa pegou fogo porque a criança brincava de acender vela enquanto a mãe estava no trabalho, conta ela, que é vice-presidente da Associação de Moradores do Jardim dos Campos.
Juliana Canassa, aluna do curso de Odontologia, está adorando a experiência. Temos contato com a população carente, conhecendo seus problemas de perto. Como profissionais, precisamos estar aptos a lidar com todos os tipos de pessoas. Além disso, é uma oportunidade de ajudar quem precisa.
Um dos resultados desta integração é a Campanha do Tijolo, que deve ser lançada no início do próximo ano dentro do projeto Criança com Segurança. Através desta campanha, os alunos querem arrecadar material para a construção de uma creche no assentamento. A obra será feita pelos próprios moradores, em sistema de mutirão, diz Fátima Dias.
Os três grupos do projeto encerram seus trabalhos na próxima terça-feira. Em 98, pretendemos lançar o Prouno no início do ano. A atividade é extra-curricular e trabalha com alunos dos primeiros anos dos dois cursos, diz Fátima. Ela calcula que 1,3 mil crianças e 250 famílias tenham sido beneficiadas pelo projeto neste ano. O terceiro grupo, do Novo Bandeirantes, orienta a população sobre os cuidados que devem ser tomados com fossas e higiene em geral, atuando na área de qualidade de vida.


