Alunos formam turma para estudar
Marcos Zanatta
As manifestações contra o Exame Nacional de Cursos, o Provão, não devem afastar os estudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e do Centro de Estudos Superiores de Maringá (Cesumar) das provas. Os alunos dos cursos que passam pela avaliação do MEC nem sempre concordam com a avaliação, mas acreditam que as notas podem valer no currículo. Alguns formandos do curso de economia da UEM chegaram a formar uma turma para estudar e enfrentar o provão.
A professora Neide Amaral, do curso de direito do Cesumar, diz que os estudantes nem tiveram aulas na última sexta-feira para se prepararem. Ela conta que muitos ex-alunos que hoje estão no mercado de trabalho reclamam de não terem dado importância para determinada matéria. Como o provão vai contar no histórico do formando, a preocupação será maior, acredita. Neide lembra ainda que as notas do Provão podem ser a diferença, em um futuro próximo, para garantir uma vaga no mercado de trabalho.
Para o professor José Andres Tumang, pró-reitor de ensino da UEM, o Provão é um bom instrumento para avaliar o curso, mas tem que sofrer alterações para medir o desempenho do estudante. Ou do futuro profissional, completa. Ele acha que em alguns cursos, como medicina e odontologia, o Provão falha em medir apenas o desempenho teórico do estudante.
Tumang acha que a posição dos estudantes ou parte deles em não fazer o Provão é válida. Mostra que eles estão atentos e querem o melhor, avalia. O vice-presidente da União Paranaense dos Estudantes (UPE), Marcelo Júnior dos Santos, diz que o provão está classificando as universidades para um projeto de privatização.
Além disso os critérios de avaliação não levam em conta as condições da instituição, diz. Ele explica que algumas universidades que tiveram notas baixas foram ameaçadas pelo ministro Paulo Renato de Souza de corte de verbas. Se o ensino da instituição está ruim, deve ser identificada a causa e incentivada a melhoria, afirma.
Outro erro apontado por Santos é que a nota não avalia o estudante e sim a turma. Um estudante do Maranhão que nem fez a prova ficou com média 7,5, afirma. O ex-presidente da UPE, Mário Cesar Fonseca da Silva, acusa o MEC de promover uma avaliação sem consultar nenhum outro lado envolvido. Ele lembra que apesar do descaso do governo, a universidade pública continua produzindo 90% da pesquisa do País.





