Os alunos do Colégio Estadual do Guatupê, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, fizeram um protesto ontem pela manhã para pedir a liberação de recursos para o término das obras iniciadas no ano passado. Os serviços de reforma, ampliação e adequação da escola deveriam ter ficado prontos em setembro, mas duas das cinco parcelas dos recursos do PROEM (Programa de Expansão e Melhoria do Ensino Médio) não foram liberadas.
Segundo a diretora Leila Eloiza Rezende, cerca de 500 alunos estão sem aulas de computação por falta de espaço físico. ‘‘A sala de computação está em obras e não tivemos como instalar os computadores’’, afirma. Ao todo, a escola tem 2.400 alunos e cerca de 300 carteiras a menos do que seriam necessárias para as salas de aulas já construídas. ‘‘Temos alunos que assistem às aulas em pé por falta de infra-estrutura’’, diz.
A idéia de fazer o protesto surgiu dos próprios alunos. A estudante do 1º ano do ensino médio, Débora Bonfim Nunes Dutra, de 15 anos, fala que na escola falta de tudo: da biblioteca ao banheiro. ‘‘Tínhamos que ter um laboratório para o ensino médio, mas ele não pôde ser construído’’, diz ela. A estudante conta que meninos e meninas utilizam o mesmo banheiro. ‘‘O nosso colégio está um caos’’, salienta.
Os pais de alunos também reclamam. A diarista Matilde de Paula, de 51 anos, diz que tem dois filhos no colégio, mas teme pela educação deles. ‘‘Como poderemos confiar numa escola que nem tem carteiras’’, pergunta.
A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual da Educação informou que os recursos da escola foram suspensos por falta da prestação de contas da APM (Associação de Pais e Mestres) e porque a empreiteira ainda não estava regularizada até a data da liberação dos recursos, no dia 12 de fevereiro. A empreiteira já regularizou a situação no dia 24 de fevereiro e a APM no último dia 17. ‘‘Agora tudo está regularizado perante a secretaria, a escola terá apenas que esperar a liberação dos recursos’’, afirma a assessora.
A proprietária da FF Construções Civis, responsável pela obra da escola, Tânia Francischine, diz que irá dar um voto de confiança para a secretaria resolver o problema o mais rápido possível. ‘‘A secretária disse que nos pagará e nós estamos acreditando nisto’’, diz ela.
De qualquer forma, a diretora avisa: se nada for feito, os alunos poderão realizar novos protestos e paralisações. ‘‘Eu jamais gostei deste tipo de exposição dos alunos, mas não tivemos outro caminho e poderemos intensificar o protesto se for necessário’’, diz Leila.Kraw PenasUsando cartazes, estudantes fizeram protesto ontem em frente à escolaLuciana Pombo

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