Alunos fazem protesto contra professor
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terça-feira, 15 de abril de 2003
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Os portões da Escola Estadual Professor José Carlos Pinotti, na zona norte de Londrina, amanheceram fechados ontem. Alunos colocaram pedras e galhos na rua e se aglomeraram em frente ao portão impedindo a entrada. Foi a forma que eles encontraram de protestar contra a transferência de um professor para a escola. Segundo alunos e funcionários que não quiseram se identificar, o professor Edno Mariano dos Santos não é bem vindo na escola. A Secretaria Estadual de Educação diz que ele respondeu, no ano passado, um processo administrativo disciplinar por gerenciamento de recursos da Associação de Pais e Mestres (APM), da cantina, uso de quadras da escola e falta de respeito a outros professores.
Segundo uma aluna que cuidava do portão, a vinda de Edno, que é professor de matemática, provocaria a transferência de outros dois professores que respondem pela disciplina. Uma funcionária da escola disse que o professor deveria ter assumido as aulas anteontem à noite, mas assim que a notícia da vinda dele se espalhou pela escola, os alunos se recusaram a permanecer em sala de aula.
O chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), professor Rony dos Santos Alves, informou que a transferência do professor atende a um decreto emitido pelo atual secretário estadual de Educação Maurício Requião. De acordo com o decreto, o professor não pode ficar na escola onde as irregularidades teriam ocorrido. Por isso, o NRE fez uma lista com o nome de várias escolas na região onde o professor mora. O chefe do Núcleo admite que houve repulsa de alguns diretores em relação ao nome do professor e afirmou que a escolha da Escola José Carlos Pinotti foi feita pelo próprio Edno.
A assessora jurídica da Secretaria Estadual de Educação, Fabiana Galera Severo, informou que no processo administrativo Edno havia sido suspenso por 90 dias sem direito a salários. Um novo julgamento feito pelo Tribunal de Justiça, em fevereiro deste ano, declarou nula a penalidade ''por falta de motivação'' (explicação das razões da pena). O secretário Maurício Requião acatou a decisão mas, por entender que o processo tinha validade, ele determinou a transferência de escola e pagamento de multa, desta vez, explicando os motivos da decisão. Não há, de acordo com Fabiana, nada que impeça o professor de assumir sua vaga. ''Se houver novas denúncias a Secretaria deve ser avisada para apurá-las''.
A diretora da escola, professora Maria Luiza Correa Bastos, está de licença mas disse que como educadora não pode fazer discriminação de pessoas. Quando retornar ao trabalho, ela pretende se reunir com os alunos e convencê-los a uma convivência pacífica com o professor. ''Eles (os alunos), como cidadãos, têm o direito de exercer sua opinião'' resumiu.
Professor Edno afirmou que não concorda com o procedimento da Secretaria. ''Eles estão errados e cometeram um violência contra os alunos. Quero permanecer na escola onde estava'', disse o professor. O Conselho do Magistério da Secretaria, reponsável pelos julgamentos de processos administrativos, segundo ele, se manifestou pela permanencia de Edno na escola por não haver provas contrárias a ele. O professor disse que já entrou na Justiça para reverter a decisão.


